Texto Completo
Dos Arcanos Celestes
196. Antes de ser dado sumariamente o que foi escrito nos Arcanos Celestes a respeito das tentações, deve-se antecipar alguma coisa a respeito delas, a fim de que se saiba claramente de onde elas vêm. A tentação se diz espiritual quando interiormente no homem são atacados os veros da fé que o homem crê de coração e segundo os quais ama viver, principalmente quando é atacado o bem do amor, no qual ele põe a vida espiritual. Esses ataques se fazem de vários modos: por um influxo de escândalos nas cognições, e também na vontade, contra os veros e os bens. Depois, por uma emersão e uma contínua recordação dos males que o homem fez e dos falsos que ele pensou, assim, por uma inundação deles. E, ao mesmo tempo, por um aparente bloqueio dos interiores da mente e, assim, da comunicação com o céu, pelo que ele fica impedido de pensar por sua fé e de querer por seu amor. Essas coisas são feitas pelos maus espíritos que estão no homem, e, quando se fazem, aparecem-lhe sob a espécie de ansiedades interiores e de dores da consciência, porque elas afetam e atormentam a vida espiritual do homem, crendo ele que isto não vem dos maus espíritos, mas de si próprio, nos interiores. Que o homem não saiba que essas coisas são provenientes dos maus espíritos é porque não sabe que há espíritos nele, os maus em seus males e os bons em seus bens, e que estão em seus pensamentos e em suas afeições. Essas tentações são gravíssimas quando são conjuntas a dores infligidas no corpo, e ainda mais se essas dores persistem por muito tempo e aumentam, e ele implora a Divina Misericórdia e, todavia, não há libertação. Daí vem o desespero, que é o fim.
Deve ser citada aqui, primeiramente, alguma coisa dos Arcanos Celestes a respeito dos espíritos no homem, porque deles vêm as tentações.
Que em cada homem haja espíritos e anjos (n. 697 e 5846-5866). Que eles estejam em seus pensamentos e em suas afeições (n. 2888, 5846 e 5848). Que o homem não possa viver se forem tirados os espíritos e anjos (n. 2887, 5849, 5854, 5993 e 6321). Porque o homem tem comunicação e conjunção com o mundo espiritual pelos espíritos e anjos, sem as quais não haveria vida para o homem (n. 697, 2796, 2886, 2887, 4047, 4048, 5846-5866 e 5976-5993). Que os espíritos no homem sejam mudados segundo as afeições que pertencem ao amor (n. 5851). Que os espíritos do inferno estejam nos amores próprios do homem (n. 5852 e 5979- 5993). Que os espíritos entrem em todas as coisas da memória do homem (n. 5853, 5857, 5859, 5860, 6192, 6193, 6198 e 6199). Que os anjos entrem nos fins, pelos quais e por causa dos quais o homem pensa, quer e age de certa maneira e não de outra (n. 1317, 1645 e 5854). Que o homem não apareça aos espíritos, nem os espíritos ao homem (n. 5862). Assim, que os espíritos nada possam ver do que há em nosso mundo solar, pelo homem (n. 1880). Que, embora os espíritos e anjos estejam no homem, em seus pensamentos e em suas afeições, o homem esteja, não obstante, no livre de pensar, de querer e de agir (n. 5982, 6477, 8209, 8307 e 10777). (E, além disso, na obra O Céu e o Inferno, onde se tratou da conjunção do céu com o gênero humano, n. 291-302).