Texto
- Se os maus são bem sucedidos em seus artifícios, é porque é da ordem Divina que cada um faça pela razão o que faz, e também faça pelo livre; si portanto não fosse deixado ao homem fazer segundo sua razão de acordo com o livre, e por conseqüência também si os artifícios que dai provem não fossem bem sucedidos, o homem não poderia de modo algum ser disposto a receber a vida eterna, pois esta vida é insinuada quando o homem está no livre e sua razão é ilustrada; ninguém, com efeito, pode ser constrangido ao bem, porque cousa alguma do que é constrangido não se liga (a ele), pois isso não pertence ao homem; o que é feito pelo livre segundo a razão torna-se cousa do homem mesmo, pois pelo livre se faz o que vem da vontade ou do amor mesmo do homem; si o homem fosse constrangido ao que ele não quer, inclinar-se-ia sempre em intenção para o que quer; e, além disso, cada um tende para o que é proibido; e isso, por uma causa latente, porque tende para o livre; dai é evidente que si o homem não fosse mantido no livre, não poderia ser provido o bem para ele.