. (ii.) Que haja um sentido espiritual em todas e cada uma das coisas da Palavra, não se pode ver melhor do que nos exemplos que estão na seqüência. João disse no Apocalipse: "Vi o céu aberto e, eis, um cavalo branco, e o que Se sentava sobre ele Se chamava Fiel e Verdadeiro, que julga e peleja em justiça. E Seus olhos ... como chama de fogo, e sobre a Sua cabeça muitos diademas, tendo um nome escrito que ninguém conhece senão Ele; e estava vestido com uma vestimenta tinta de sangue; e Seu nome se chamava Palavra de Deus. Seus exércitos no céu O seguiam sobre cavalos brancos, vestidos de fino linho, branco e puro. Tem sobre sua vestimenta e sobre Sua coxa um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores. Vi, além disso, um anjo que estava no sol, que clamava com grande voz... Vinde e ajuntemo-nos para a grande ceia... para comerdes as carnes dos reis, e as carnes dos quiliarcas, e as carnes dos fortes, e as carnes dos cavalos e dos que se sentam sobre eles, e as carnes de todos os livres e todos os servos, e dos pequenos e grandes" (Ap. 19:11-18). Ninguém pode ver o que essas coisas significam a não ser pelo sentido espiritual da Palavra, e ninguém pode ver o sentido espiritual a não ser pela ciência das correspondências, porque todos os vocábulos são correspondências e nenhum vocábulo aí é em vão. A ciência das correspondências ensina o que significam o "cavalo branco" e o que "Se assenta sobre ele", o que significam os "olhos" que são como chama de fogo, o que significam os "diademas" que estavam sobre a cabeça, o que significa a "vestimenta tinta de sangue", o que significa o "linho fino e branco" de que estava vestido o Seu exército no céu, o que significa o "anjo que estava no sol", o que significa a "grande ceia" para a qual viriam e se ajuntariam, como também o que significam as "carnes dos reis" e dos "quiliarcas", além das de muitos outros, as quais se comeriam. Mas, o que significa cada uma dessas expressões no sentido espiritual, veja-se no opúsculo Do Cavalo Branco, onde estão explicadas; por isso me abstenho de explicá-las novamente aqui. Mostrou-se naquele opúsculo que ali era descrito o Senhor quanto à Palavra; e que pelos "Seus olhos", que eram como chama de fogo, pelos "diademas" sobre a cabeça e pelo "nome" que ninguém conhece senão Ele, era entendido o sentido espiritual da Palavra, que ninguém conhece senão o Senhor mesmo e quem Ele quiser revelar; depois, que pela "vestimenta tinta de sangue" é entendido o sentido natural da Palavra, que é o sentido de sua letra, pois se diz: "Seu nome se chama Palavra de Deus". E que seja o Senhor que aí é entendido, também se vê claramente, pois se diz que o nome do que Se assenta sobre o cavalo estava escrito: "Rei dos reis e Senhor dos senhores". Que o sentido espiritual da Palavra deva ser aberto no fim da igreja, isso é significado não somente pelo que foi dito agora sobre o cavalo e sobre o que Se assenta sobre ele, mas também pela "grande ceia" para a qual o anjo que estava no sol convidava a que viessem e comessem as carnes dos reis, dos quiliarcas, dos fortes, dos cavalos e dos que se sentavam sobre eles, e de livres e servos. Todas essas expressões seriam palavras vazias, sem vida e sem espírito, se nelas não houvesse um sentido interior, como a alma no corpo.