. Diz-se no Apocalipse, cap. 6, Que quando o anjo abriu o primeiro selo do livro, saiu um cavalo branco, e o que estava sentado sobre ele tinha um arco e foi-Lhe dada uma coroa; quando abriu o segundo selo, saiu um cavalo vermelho, e ao que estava sentado sobre ele foi dada uma grande espada; quando abriu o terceiro, saiu um cavalo negro, e o que estava sentado sobre ele tinha na mão uma balança; e, quando abriu o quarto selo, saiu um cavalo pálido, e o nome do que estava sentado sobre ele era morte (vers. 1-5, 7, 8). Somente pelo sentido espiritual se pode desvendar isso, e é plenamente desvendado quando se sabe o que significam a "abertura dos selos", os "cavalos" e as demais expressões. Por elas são descritos os estados sucessivos da igreja quanto ao entendimento da Palavra, do princípio até o seu fim. Pela "abertura dos selos do livro pelo Cordeiro" é significada a manifestação pelo Senhor desses estados da igreja; pelo "cavalo", o entendimento da Palavra; pelo "cavalo branco", o entendimento do vero oriundo da Palavra no primeiro estado da igreja; pelo "arco" do que estava sentado sobre esse cavalo, a doutrina da caridade e da fé pelejando contra os falsos; pela "coroa", a vida eterna como prêmio da vitória; pelo "cavalo vermelho" é significado o entendimento perdido da Palavra, quanto ao bem, no segundo estado da igreja; pela "espada grande", o falso pelejando contra o vero; pelo "cavalo negro" é significado o entendimento nulo da Palavra por causa dos males da vida e, assim, dos falsos, no quarto ou último estado da igreja; e pela "morte", a danação eterna. Que tais coisas sejam entendidas por estas, no sentido espiritual, isso não se mostra no sentido da letra ou natural. Por isso, se o sentido espiritual não fosse uma vez aberto, a Palavra estaria fechada quanto a estas e às coisas restantes no Apocalipse, a ponto de que, finalmente, não se saberia em que consistiria nela a santidade Divina. É semelhante ao que é significado pelos "quatro cavalos" e pelos "quatro carros saindo de entre as duas montanhas de bronze", em Zacarias (cap. 6:1-8).