. Lê-se no Apocalipse, cap. 9: "O quinto anjo tocou... e vi uma estrela do céu caída na terra, e foi-lhe dada as chaves do poço do abismo; e abriu-se o poço do abismo, e subiu uma fumaça do poço como a fumaça de uma grande fornalha; e escureceu-se o sol e o ar pela fumaça do poço. E da fumaça saíram gafanhotos na terra, e foi-lhes dado o poder tal como o poder que têm os escorpiões da terra... A aparência dos gafanhotos era semelhante à de cavalos preparados para a guerra; e sobre as suas cabeças como que coroas semelhantes a ouro, e as suas faces como as faces dos homens, e tinham cabelos como cabelos de mulheres, e seus dentes eram como de leões; e tinham [tóraces como] tóraces férreos; e o som de suas [asas] como o som de carros... de muitos que correm na guerra; e tinham caudas semelhantes a de escorpiões, e havia aguilhões nas suas caudas; e o poder delas era para danificar os homens por cinco meses; e tinham sobre si um rei, o anjo do abismo; o seu nome em hebraico é Abaddon... em grego tem o nome Apollyon" (vers. 1-3, 7-11). Estas expressões não serão entendidas por pessoa alguma a não ser que lhe seja revelado o sentido espiritual, pois nada existe aí que tenha sido dito em vão; todas as coisas, quanto a cada uma delas, têm significação. Trata-se aí do estado da igreja, quando todas as cognições do vero oriundas da Palavra tiverem sido perdidas e, em conseqüência, o homem que se tiver tornado sensual se persuadir de que as falsidades são verdades. [%2] Pela "estrela caída do céu" são significadas as cognições do vero que foram perdidas; pelo "sol e o ar escurecidos" é significada a luz do vero tornada em escuridão; pelos "gafanhotos" que saíram da fumaça do poço são significados os falsos nos extremos, quais são os daqueles que se tornaram sensuais e vêem e julgam todas as coisas pelas falácias; pelo "escorpião" é significado o persuasivo deles. Que os gafanhotos tenham aparecido "como cavalos preparados para a guerra" significa os seus raciocínios como se fossem do entendimento do vero; que os gafanhotos tenham "coroas semelhantes a ouro sobre a cabeça" e que "suas faces eram como faces de homens" significa que pareciam a si mesmos como vitoriosos e sábios; que seus "cabelos eram como cabelos de mulheres" significa que pareciam a si mesmos como se estivessem na afeições do vero; que eram seus "dentes como de leões" significa que as coisas sensuais, que são os últimos do homem natural, lhes parecem como tendo poder sobre todas as coisas. [%3] Que eram seus "tóraces como tóraces de ferro" significa as argumentações provenientes das falácias pelas quais combatem e prevalecem; que era o "som das asas como o som dos carros que correm na guerra" significa os raciocínios como se fossem oriundos dos veros da doutrina provenientes da Palavra, pelos quais deviam combater; que eram suas "caudas como de escorpiões" significa as persuasões; que havia "aguilhões nas caudas" significa as astúcias de se iludir por meio delas; que eles tinham "poder de danificar os homens por cinco meses" significa que induzem uma espécie de entorpecimento naqueles que estão no entendimento do vero e nas percepções do bem; que tinham sobre si "um rei, o anjo do abismo, cujo nome é Abaddon ou Apollyon" significa que os seus falsos eram do inferno onde se acham os que são meramente naturais e estão na própria inteligência. [%4] Eis aí o sentido espiritual dessas palavras, do qual não aparece coisa alguma no sentido da letra. É a mesma coisa em toda parte no Apocalipse. Cumpre saber que no sentido espiritual todas as coisas são coerentes em uma conexão contínua; por isso, se a menor palavra for tirada, a conexão se rompe e a conjunção perece. Por esse motivo, para que não se fizesse isso, no final desse livro profético foi acrescentado: "Que não se tirasse palavra alguma" (Ap. 22:19). É semelhante aos livros proféticos do Velho Testamento; para que nada fosse tirado deles, sucedeu, pela Divina providência do Senhor, que cada uma das coisas ali, até às letras, fossem numeradas pelos massoretas.