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Doutrina da Escritura Santa
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Santa

. Que as idolatrias das nações nos tempos antigos tenham tido origem na ciência das correspondências, a razão é porque todas as coisas que aparecem sobre a terra correspondem; assim, não somente as árvores, mas também o gado e as aves de todo gênero, como também os peixes e as demais coisas. Os antigos, que estavam na ciência das correspondências, fizeram para si imagens que correspondiam a coisas celestes e se deleitavam nelas porque significam coisas tais que eram do céu e, assim, da igreja. Por isso as punham não somente em seus templos, mas também em suas casas, não para adoração, mas para recordação da coisa celeste que elas significavam. Assim, no Egito e em outros lugares, havia imagens de bezerros, bois e serpentes, como também meninos, velhos e virgens, porque os bezerros e bois significavam as afeições e as forças do homem natural; as serpentes, a prudência do homem sensual; os meninos, a inocência e a caridade; os velhos, a sabedoria; as virgens, as afeições do vero, e assim por diante. Quando a ciência das correspondências foi esquecida, os descendentes começaram a adorar as imagens e os simulacros como santos e, finalmente, como deidades, porque estavam nos templos e junto a eles.
[%2] Foi do mesmo modo com outras nações, como o Dagon dos filisteus em Asdod (de que se trata em I Sm. 5:1 ao fim), o qual era como homem na parte superior e como peixe na parte inferior. Essa imagem foi assim criada porque "homem" significa a inteligência e "peixe", a ciência, que fazem um. Era por isso, também, que os antigos faziam culto nos jardins e nos bosques, segundo as espécies das árvores, como também nas montanhas e colinas, porque o jardim e o bosque significam a sabedoria e a inteligência, e cada uma das árvores significava alguma coisa da sabedoria e da inteligência. Por exemplo, a oliveira, o bem do amor; a videira, o vero oriundo desse bem; o cedro, o bem e o vero racionais, enquanto a montanha significava o céu supremo, e as colinas, o céu abaixo daquele.
[%3] Que a ciência das correspondências tenha permanecido com muitos dos orientais até o advento do Senhor, pode-se ver pelos sábios do oriente, que vieram ao Senhor quando nasceu; por isso uma estrela os precedeu e eles trouxeram consigo ofertas: ouro, incenso e mirra (Mt. 2:1, 2, 9-11), pois a estrela que os precedeu significava a cognição do céu, o ouro significava o bem celeste; o incenso, o bem espiritual e a mirra, o bem natural. Desses três procede todo culto.
[%4] Entretanto, a ciência das correspondências tornou-se inteiramente nula na nação israelita e judaica, embora todas as coisas do seu culto, todas as coisas dos juízos e estatutos que lhes foram dadas por Moisés e toda a Palavra fossem meras correspondências. A razão era porque eles eram idólatras de coração e tais que sequer queriam saber que alguma coisa de seu culto significava o celeste e o espiritual, pois queriam que todas essas coisas fossem santas por si mesmas e estivessem com eles. Por isso, se as coisas celestes e espirituais lhes fossem desvendadas, não apenas as rejeitariam, mas também as profanariam. Por esse motivo, o céu foi tão fechado para eles que mal sabiam que existe uma vida eterna. Que isto seja assim, vê-se claramente pelo fato de que não reconheceram o Senhor, ainda que toda a Escritura Santa O tenha predito e sobre Ele profetizado. Rejeitaram-No por causa de si mesmos somente, porque Ele lhes ensinou sobre um reino celeste e não sobre um reino terrestre. Com efeito, queriam um Messias que os exaltasse sobre todas as nações em todo o mundo, e não algum Messias que considerasse a salvação eterna deles. Afirmam, além disso, que a Palavra contém em si muitos arcanos, a que chamam místicos, mas não querem saber que eles são sobre o Senhor, embora queiram saber, quando se lhes diz que são de ouro.

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