. (v.) Que daqui em diante o sentido espiritual da Palavra não será concedido a ninguém, exceto quem estiver nos veros genuínos pelo Senhor. A causa disso é porque ninguém pode ver o sentido espiritual senão pelo Senhor somente, e a não ser que esteja por Ele nos veros genuínos. Porque o sentido espiritual da Palavra trata somente do Senhor e de Seu reino, e é nesse sentido em que estão os Seus anjos no céu, porque é o Divino Vero ali. O homem pode violá-lo se estiver na ciência das correspondências e, por ela, quiser examinar o sentido espiritual da Palavra a partir da própria inteligência; pois, por algumas correspondências que conhece, pode perverter esse sentido e levá-lo a confirmar também o falso. Isso seria violar o Divino Vero e também o céu. Por isso, se alguém quiser abrir esse sentido por si mesmo e não pelo Senhor, o céu se fecha e, quando é fechado, o homem ou nada vê ou se torna espiritualmente insano. Outra causa é também porque o Senhor ensina a cada um pela Palavra; e ensina pelos veros que estão no homem e não infunde imediatamente coisas novas. Por isso, se o homem não estiver nos Divinos veros, ou se em poucos veros somente e nos falsos ao mesmo tempo, pode por estes falsificar os veros, como também acontece com todo herético quanto ao próprio sentido da letra da Palavra, como se sabe. Por isso, para que ninguém entre no sentido espiritual da Palavra nem perverta o vero genuíno que é desse sentido, foram postos guardas pelo Senhor, os quais se entendem pelos querubins.
[%2] Que tenham sido postos guardas, é o que me foi representado assim: Foi-me concedido ver grandes bolsas parecendo sacos, nas quais se tinha encerrado prata em grande quantidade; e como estavam abertas, percebeu-se que qualquer um poderia tomar ou mesmo roubar a prata ali depositada. Mas, próximo a essas bolsas estavam assentados dois anjos, como guardas. O lugar onde as bolsas tinham sido colocadas parecia uma manjedoura num estábulo. Num cômodo próximo foram vistas virgens modestas juntamente com uma esposa casta; perto dessa câmara estavam duas crianças, e foi dito que com elas não se devia brincar infantilmente, mas sabiamente. Em seguida apareceu uma prostituta e, depois, um cavalo que jazia morto.
[%3] Tendo visto essas coisas, fui instruído que por elas é representado o sentido da letra da Palavra, no qual está o sentido espiritual. Aquelas bolsas grandes cheias de prata representavam os conhecimentos do vero em grande quantidade. O fato de estarem abertas e, todavia, guardadas por anjos, significava que qualquer um pode tirar dali os conhecimentos do vero, mas que se deve precaver para que ninguém falsifique o sentido espiritual, no qual há puras verdades. A manjedoura no estábulo, onde as bolsas estavam, significava a instrução espiritual para o entendimento. Ela tem essa significação porque o cavalo, que ali come, significa o entendimento.
[%5] As virgens modestas que foram vistas no cômodo próximo significavam as afeições do vero, e a esposa casta a conjunção do bem e do vero. As crianças significavam a inocência da sabedoria ali presente. Eram anjos do terceiro céu, que aparecem, todos, como crianças. A prostituta com o cavalo morto significava a falsificação da Palavra por muitos hoje em dia, pelo que perece todo entendimento do vero. A prostituta significava a falsificação, e o cavalo morto o entendimento nulo do vero.
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