. Segue-se, assim, que a Palavra sem o seu sentido da letra seria como um palácio sem fundação, portanto, como um palácio no ar e não sobre a terra, o que seria somente uma sombra sua, que desvaneceria. A Palavra sem o seu sentido da letra seria também como um templo em que houvesse muitas coisas e, no seu meio, um santuário, mas sem teto e sem parede, que são os seus continentes. Se esses continentes desaparecessem ou fossem tirados, as coisas santas seriam pilhadas por ladrões, ou por bestas da terra ou por aves dos céus, violadas e, assim, dissipadas. Seria, semelhantemente, como um tabernáculo (em cujo íntimo ficava a arca da aliança, no seu meio o castiçal de ouro, o altar de ouro sobre o qual ficava o incenso, como também a mesa sobre a qual ficavam os pães das faces, que eram suas coisas santas) sem os seus últimos, que eram as cortinas e os véus. E mais, a Palavra sem o seu sentido da letra seria como o corpo humano sem as coberturas que se chamam peles e sem os sustentáculos que se chamam ossos; sem estes e aqueles todos os interiores se espalhariam. E seria como o coração e o pulmão no tórax sem a sua cobertura que se chama pleura e sem os seus sustentáculos que se chamam costelas. Ou como o cérebro sem a sua cobertura que se chama dura-máter a sua cobertura comum, seu continente e sustentáculo, que se chama crânio. Seria a mesma coisa com a Palavra sem o seu sentido da letra, pelo que se diz em Isaías: Que JEHOVAH criou sobre toda glória uma cobertura (Is. 4:5).