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Doutrina da Escritura Santa
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Santa

. Na Doutrina do Senhor (n. 28) foi mostrado que os profetas do Velho Testamento representaram o Senhor quanto à Palavra e, desse modo, significaram a doutrina da igreja oriunda da Palavra e, por isso, foram chamados "Filhos do homem". Segue-se daí que, por várias coisas que passaram e suportaram, eles representaram a violência praticada pelos judeus contra o sentido da letra da Palavra. Como [foi ordenado]:
Que o profeta Isaías despisse o pano de saco de sob os seus lombos, tirasse o calçado de seus pés e andasse nu e descalço por três anos (Is. 20:2, 3).
Que o profeta Ezequiel passasse uma navalha de tosquiadores sobre a cabeça e sobre a barba, e terça parte [dos cabelos] queimasse no meio da cidade, terça parte ferisse com a espada e terça parte dispersasse ao vento, e um pouco deles atasse à veste e, finalmente, o lançasse no meio do fogo e queimasse (Ez. 5:1-4).
[%2] Visto que os profetas representaram a Palavra e, assim, significaram a doutrina da igreja oriunda da Palavra, como se disse acima, e visto que pela "cabeça" é significada a sabedoria proveniente da Palavra, por isso, pelos "cabelos da cabeça" e pela "barba" era significado o último do vero. Como isso era significado pelos cabelos e pela barba, por isso era um símbolo de grande desgosto e também de grande vergonha causar a própria calvície como também mostrar-se calvo. Era por causa disso e não outra coisa que ao profeta [foi ordenado] raspar os cabelos de sua cabeça e a barba para que, com isso, representasse o estado da Igreja Judaica quanto à Palavra. Por causa disso, e não outra coisa, que
Quarenta e dois meninos que chamavam Eliseu de calvo foram despedaçados por duas ursas (II Rs. 2:23, 24),
Pois o profeta representava a Palavra, como se disse anteriormente, e "calvo" significava a Palavra sem o seu sentido último. No capítulo seguinte (n. 49) ver-se-á que os nazireus representaram o Senhor quanto à Palavra em seus últimos. Por isso era um estatuto para eles que fizessem crescer a cabeleira e nada dela cortassem. Também, na língua hebraica "nazireu" significa cabeleira. Também era um estatuto para o sumo sacerdote que não raspasse a cabeça (Lv. 21:10), do mesmo modo os pais de família (Lv. 21:5). Por isso a calvície lhes era grande vergonha, como se por ver por essas passagens:
"Nas cabeças de todos, a calvície, e a barba de todos raspada" (Is. 15:2; Jr. 48:37).
"Sobre todas as faces, a vergonha, e em todas as cabeças... calvícies" (Ez. 7:18).
"Toda a cabeça, calva, e todo ombro pelado" (Ez. 29:18).
"Farei subir sobre todo lombo o pano de saco, e sobre toda cabeça a calvície" (Am. 8:10).
"Faze-te calva, e tosquia-te, por causa dos filhos de tuas delícias; e alarga a calvície... porque partiram de ti" (Mq. 1:16).
Aqui, por "fazer-te calva e alargar [a calvície]" é significado falsificar os veros da Palavra em seus últimos. Sendo esses falsificados, como foi feito pelos judeus, toda a Palavra está destruída, porquanto os últimos da Palavra são seus esteios e sustentáculos; e mais, cada vocábulo é um esteio e um sustentáculo de suas verdades celestes e espirituais. Visto que os cabelos da cabeça significam o vero nos últimos, por isso, no mundo espiritual, todos os que desprezam a Palavra e falsificam o seu sentido da letra se mostram calvos, enquanto os que a honram e amam se mostram com decentes cabelos. Sobre isso, veja-se também abaixo (n. 49).

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