. Em sua maior parte, os veros no sentido da letra da Palavra não são veros nus, mas aparências de vero; são como similitudes e comparações tiradas de coisas tais as que estão na natureza; são, por conseguinte, acomodadas e adequadas à compreensão dos simples e também das crianças. Como, porém, são correspondências, são receptáculos e habitáculos do vero genuíno; são como vasos que o encerram e contêm, do mesmo modo que a taça cristalina encerra o vinho nobre, do mesmo modo que o prato de prata contém o alimento nutriente e do mesmo modo que as vestimentas revestem, como, por exemplo, as faixas de uma criancinha e os vestidos decentes de uma virgem. São, também, como os conhecimentos naturais do homem, que envolvem em si mesmos percepções e afeições do vero espiritual do homem. Os veros nus mesmos, que encerram, contêm, revestem e envolvem, estão no sentido espiritual da Palavra, enquanto os bens nus estão em seu sentido celeste. [%2] Mas isso vai ser ilustrado pela Palavra. Disse Jesus: "Ai de vós, escribas e fariseus, que limpais o exterior do copo e do prato, mas os interiores estão cheios de rapina e intemperança. Fariseus cegos, limpai antes o interior do copo e do prato, para que o exterior também seja limpo" (Mt. 23:25, 26). Aí o Senhor fala pelos últimos, que são os continentes, e diz "copo e prato"; pelo "copo" se entende o vinho e, pelo vinho, o vero da Palavra; e pelo "prato" se entende a comida e, pela comida, o bem da Palavra. Por "limpar o interno do copo e do prato" se entende purificar, pela Palavra, os interiores que são da vontade e do pensamento, assim, do amor e da fé. Para que "assim o exterior esteja limpo", entende-se por isso que assim os exteriores são purificados, os quais são as obras e a linguagem, pois estas tiram daqueles a sua essência. [%3] Jesus disse, ainda: "Havia um certo homem rico que se vestia de púrpura e linho, e se regalava todos os dias esplendidamente; e havia um certo pobre por nome Lázaro que se estendia ulceroso à sua entrada" (Lc. 16:19, 20). Isso, também, o Senhor falou por meio de coisas naturais que eram correspondências e continham coisas espirituais. Pelo "homem rico" se entende a nação judaica, que foi chamada "rica" porque tinha a Palavra, na qual se acham as riquezas espirituais. Pela "púrpura" e pelo "linho" de que era vestido são significados o bem e o vero da Palavra; pela "púrpura", o seu bem, e pelo "linho", o seu vero. Por "regalar-se todos os dias esplendidamente" é significado o prazer em ter e ler [a Palavra]; pelo "pobre Lázaro" se entendem os gentios, que não tinham a Palavra. Que elas eram desprezadas e rejeitadas pelos judeus, se entende pelo fato de Lázaro estender-se ulceroso à entrada do rico. [%4] Que os gentios sejam entendidos por "Lázaro", é porque os gentios eram amados pelo Senhor, assim como era amado pelo Senhor o Lázaro que foi ressuscitado dos mortos (Jo. 11:35, 36), era chamado Seu amigo (Jo. 11:11) e sentava-se à mesa com o Senhor (Jo. 12:2). Por essas duas passagens é evidente que os veros e bens do sentido da letra da Palavra são como vasos e como vestes do vero e do bem nus, que se acham no sentido espiritual e celeste da Palavra.