. (1) Que os veros do sentido da letra da Palavra sejam entendidos pelas fundações do muro da Nova Jerusalém (no Apocalipse, cap. 21) isso se segue do fato de que pela "Nova Jerusalém" se entende a nova igreja quanto à doutrina (como se mostrou na Doutrina do Senhor, n. 62, 63); por isso, pelo "seu muro" e pelos "fundamentos do muro" não se pode entender outra coisa senão o externo da Palavra, que é o seu sentido da letra, pois é por ele que há a doutrina e, pela doutrina, a igreja; é como um muro que, com as suas fundações, cerca e protege uma cidade. A respeito do muro da nova Jerusalém e de seus fundamentos, lêem-se essas palavras no Apocalipse: O anjo "mediu o muro" da cidade de Jerusalém "cento e quarenta e quatro côvados, que era medida de homem, isto é, de anjo". ... E o muro tinha doze fundações "ornadas de toda pedra preciosa; o primeiro fundamento era de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda, o quinto de sardônica, o sexto de sárdio, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisópraso, o décimo primeiro de jacinto, o décimo segundo de ametista" (Ap. 21: 17-20). Pelo número "cento e quarenta e quatro" são significados todos os veros e bens da igreja oriundos da doutrina do sentido da letra da Palavra, do mesmo modo que por "doze". Pelo "homem" é significada a inteligência, pelo "anjo" o Divino Vero do qual ela procede; pela "medida", a qualidade deles; pelo "muro" e pelas suas "fundações", o sentido da letra da Palavra; e pelas "pedras preciosas", os veros e bens da Palavra em sua ordem, dos quais vem a doutrina e, pela doutrina, a igreja.