. Pela doutrina a Palavra não somente é compreendia, mas também brilha, por assim dizer, porque a Palavra sem a doutrina não é compreendida e é como um castiçal sem o lume, como se disse acima. Por isso, pela doutrina a Palavra é compreendida e é como um castiçal com o lume aceso. O homem então vê muitas coisas que não tinha visto antes, e também compreende as que não tinha antes compreendido. As coisas obscuras e discordantes, ou não as vê e deixa para trás, ou as vê e explica de modo a concordarem com a doutrina. Que a Palavra seja vista pela doutrina e também segundo ela seja explicada, é o que confirma a experiência no mundo cristão. Porque todos os reformados vêem a Palavra pela sua doutrina e segundo ela explicam a Palavra, do mesmo modo que os católicos pela sua e segundo a sua. Mesmo os judeus o fazem por sua doutrina e segundo ela. Conseqüentemente, os falsos por uma doutrina falsa e os veros por uma doutrina verdadeira. Assim, é evidente que a doutrina verdadeira é como uma lâmpada nas trevas e como um poste indicador nos caminhos. Mas a doutrina deve não somente ser extraída do sentido da letra da Palavra, mas também ser confirmada por esse sentido, porque, se não for confirmada por aí, o vero da doutrina parece como se nele houvesse somente a inteligência do homem e não a Divina Sabedoria do Senhor; assim, a doutrina seria como uma casa no ar e não sobre a terra, por conseguinte, não fundamentada.