. Que as aparências de vero, que são os veros revestidos, possam ser tomados da Palavra por veros nus e, quando confirmados, tornem-se falsos, pode-se ver por todas as heresias que existiram e ainda existem no cristianismo. As heresias mesmas não condenam os homens, mas a vida má; então os condenam as confirmações das falsidades que se acham nas heresias, tomadas da Palavra, e os raciocínios oriundos do homem natural. Pois cada um nasce na religião de seus pais, inicia-se nela desde a infância e, depois, a conserva. Não pode, por causa dos negócios do mundo, se afastar por si mesmo de seus falsos. Mas viver no mal e confirmar os falsos até à destruição do vero genuíno, isso é o que condena. Porque aquele que se conserva em sua religião, crê em Deus e, no cristianismo, crê no Senhor, tem a Palavra como santa e vive segundo os preceitos do decálogo segundo a religião, esse não professa os falsos. Por isso, quando ouve os veros e os percebe a seu modo, pode depois abraçá-los e, assim, ser tirado dos falsos. Não o pode, porém, aquele que se confirmou nos falsos de sua religião, pois o falso confirmado permanece e não pode ser extirpado. Com efeito, o falso após a confirmação, como se dá em alguém que o professa, é coerente, sobretudo, com o amor do proprium e, assim, com o orgulho da sabedoria.