. Pode-se ilustrar também por exemplos na natureza que muitas coisas no sentido da letra são aparências de vero, nos quais estão latentes os veros genuínos, e que não é danoso pensar e falar segundo elas, mas é danoso confirmá-las até à destruição do vero genuíno que está latente ali. Isso é referido porque o natural ensina e persuade mais claramente que o espiritual. [%2] Parece à vista que o sol gira cada dia em volta da terra e também a cada ano. Por isso se diz, na Palavra, que o sol nasce e se põe, fazendo que exista a manhã, o meio-dia, a tarde e a noite, como também as estações da primavera, verão, outono e inverno, assim, os dias e os anos. Todavia, o sol está imóvel, pois é um oceano de fogo, e é a terra que o circunda diariamente e todos os anos. O homem que, por simplicidade e por ignorância, pensa que o sol gira não destrói a verdade natural, a saber, que a terra gira diariamente em seu eixo e é levada todos os anos segundo a eclíptica. Mas aquele que confirma pela Palavra e pelo raciocínio do homem natural a aparência do movimento e do curso do sol, esse invalida a verdade e também a destrói. [%3] Que o sol se move, é um vero aparente; que ele não se move, é o vero genuíno. Qualquer um pode falar e mesmo fala segundo a aparência de vero. Mas pensar segundo a aparência pela confirmação entorpece e escurece o racional. É semelhante com as estrela do céu astral: é um vero aparente que elas também giram diariamente, como o sol. Por isso também se diz das estrelas que elas nascem e se põem. Mas o vero genuíno é que as estrelas são fixas e que o seu céu é imóvel. Entretanto, qualquer um pode falar segundo a aparência.