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Doutrina da Escritura Santa
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Santa

. Foi-me concedido ver pessoas nascidas em ilhas, racionais quanto às coisas civis, que quase nada souberam sobre Deus. Esses, no mundo espiritual, aparecem como macacos e com uma vida quase semelhante à deles. Como, porém, nasceram homens e, por conseguinte, na faculdade de receber a vida espiritual, foram instruídos pelos anjos e vivificados por meio dos conhecimentos a respeito do Senhor como Homem. O que é o homem por si mesmo, mostra-se de modo mais evidente naqueles que estão no inferno, entre os quais se acham também alguns clérigos e eruditos que nem mesmo querem ouvir sobre Deus e, por causa disso, não podem pronunciar Deus. Eu os vi e falei com eles. Falei também com aqueles que tinham ira e inflamação quando ouviam alguém falar de Deus. Considera, pois, o que seria o homem que nada ouviu de Deus, quando são assim os que ouviram sobre Deus, escreveram sobre Deus e pregaram o nome de Deus. Tais são muitos dos jesuítas. Que eles sejam tais, isso procede da vontade, que é má; e essa, como foi dito anteriormente, conduz o entendimento e arrebata dali o vero que vem da Palavra. Se o homem pudesse saber por si mesmo que há um Deus e uma vida após a morte, por que não saberia que o homem é homem após a morte? Por que então acredita que sua alma ou espírito é como o vento ou como o éter, que não vê com os olhos, não ouve com os ouvidos, nem fala com a boca antes de ser conjunto e unido ao seu cadáver e ao seu esqueleto? Imagina, pois, uma doutrina para o culto formulada somente pelo lume racional; não seria ela que o homem deve adorar a si mesmo? É como tem acontecido há séculos e como hoje fazem aqueles que sabem pela Palavra que só Deus deve ser adorado. Nenhum outro culto pode provir do proprium do homem, nem mesmo o culto ao sol e à lua.

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