- 3.4. Da redenção Entramos agora no assunto da redenção em si mesma, isto é, a obra que o Senhor veio realizar no mundo, e realizou quando assumiu o Humano natural e o glorificou. O que é redenção? É o ato de redimir ou remir, que é livrar, resgatar, tirar do cativeiro. É este o sentido correto e a interpretação exata do termo. Todavia, a doutrina cristã tradicional tem uma noção mais abrangente, pois confunde redenção com salvação. A noção prevalecente hoje é que, na cruz,o Senhor redimiu e ao mesmo tempo salvou a cada um do gênero humano, num processo semelhante ao da expiação de pecados através do sacrifício de sangue inocente. E, como Ele redimiu E SALVOU a todos, fazendo a expiação, é bastante que a pessoa creia nisso para ser salva. As Doutrinas Celestes, porém, ensinam que redenção e salvação são coisas distintas. O termo “redenção” se refereao livramento espiritual que Ele operou. Quando Ele veio ao mundo, a mente humana estava entregue ao domínio dos maus espíritos, consequência de muitos se terem rebelado contra a ordem Divina prescrita para toda a Criação e contra o propósito a que Deus destinou o homem. A redenção mesma foi a subjugação dos infernos e a ordenação dos céus; e, por uma e outra, a preparação para uma nova igreja espiritual. Essas obras da redenção ocorreram simultaneamente, e cada uma delas dependia absolutamente de uma outra, a glorificação do Humano. De fato, a medida em que glorificava Seu Humano, o Senhor também subjugava os infernos, ordenava os céus e preparava os fiéis para uma igreja nova na Terra. A interdependência dessas obras era tal que, por exemplo, Ele não poderia glorificar o Humano que tomara no mundo natural a não ser subjugando e expulsando das regiões celestiais os infernos que infestavam o mundo (Lucas 10:18), ao mesmo tempo que expeliado Humano as tais fraquezas ou inclinações para o mal;não poderia ordenar os céus a não ser vencendo os infernos, retirando-os das regiões espirituais aonde tinham subido e anulando o poder que o maligno tinha alcançado nas mentes humanas; não poderia estabelecer na terra uma igreja que fosse espiritual a não ser livrando as mentes humanas da opressão infernal, da hipocrisia farisaica e das dúvidas a que estavam submetidas. É por isso que essas obras tinham de ser concomitantes, e o resultado de todas elas é o que se chama “redenção”. Para que o assunto da redenção seja ainda mais claramente compreendido, Swedenborg faz ilustrações: “A subjugação dos infernos, a ordenação dos céus e, em seguida, a instauração da Igreja podem ser ilustradas por diversas comparações... com um exército de bandidos ou de rebeldes que se apoderam de um reino ou de uma cidade e incendeiam as casas, despojam de seus bens os habitantes, partilham entre si o saque e em seguida se regozijam e se gloriam. E a redenção mesma pode ser ilustrada por comparação com um rei justo que ataca esses bandidos com seu exército, passa uma parte a fio de espada, lança a outra nas prisões, arrebata-lhes o saque e o restitui aos habitantes, e depois restabelece a ordem no reino e o põe ao abrigo de uma invasão semelhante.Este assunto pode também ser ilustrado por uma comparação com uma tropa de bestas ferozes que saem das florestas e se lançam sobre rebanhos de gado e manadas, e também sobre os homens, o que faz que o homem não ouse sair das muralhas da cidade nem cultivar a terra, donde resulta que os campos ficarão desertos e os cidadãos perecerão de fome. E a redenção pode ser ilustrada pela destruição e a expulsão dessas bestas ferozes e pela proteção dos campos contra uma nova invasão...”53