- 3.7. OEspírito Santo não existiu sempre. É interessante notar que o termo “Espírito Santo” não é mencionado uma única vez sequer no Antigo Testamento. De fato, emtraduções modernas o termo aparece três vezes (Salmo 51:11 e Isaías 63:10, 11), mas, na língua original o termo não é “Espírito Santo”, mas “espírito de santidade”.Não seria de se admirar que em todo o Antigo Testamento não apareça nem uma vez que um termo tão importante como a suposta terceira pessoa da Trindade Divina?Mas isto tem uma explicação bem simples: é que, simplesmente, o Espírito Santo não existia!O Espírito Santo só começou a existir depois de o Senhor estar em um corpo natural, no mundo, e passou a existir plenamente depois que Jesus foi glorificado. Vejamos a seguinte passagem: “O Espírito Santonão existiaainda, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (João 7:39). Os tradutores ou revisores introduziram neste versículo um “fora dado” no lugar de “existia”: “O Espírito Santo não fora dado ainda, por ainda Jesus não ter sido glorificado”. Decerto eles traduziam tendo a doutrina da trindade de pessoas diante dos olhos e, assim, não podiam conceber que uma das “três pessoas” pudesse não ter existido em algum tempo. Algumas traduções mais cuidadosas até marcam esse acréscimo em itálico, como a King James: “For the Holy Ghost was not yetgiven; because that Jesus was not yet glorified”(João 7:39) E João Ferreira de Almeida, na edição original de 1681, também foi honesto em indicar o acréscimo, ao traduzir: “Porque ainda o Espírito santo não era [vindo,] por quanto Jesus ainda não era glorificado”. Observe-se que tanto a King James Version quanto aJoão Ferreira de Almeida(no original de 1681)são fiéis ao texto grego (Textus Receptus) ao mostrarem em destaques as partículas acrescentadas ao original, uma vez que o gregodiz: “Não ainda havia o Espírito Santo, porque Jesus não ainda era glorificado”(???? ????? ?????? ?????, ??? ? ???????????? ????????). Já as demais traduções ou versões revistas ou atualizadas de João Ferreira de Almeida fazem, em sua maioria, variações e mudanças dessa expressão, todas elas discordantes dos manuscritos gregos mais confiáveis, como são os chamados Textus Receptus. Então, se o Espírito Santo não aparece no Antigo Testamento e João fala que ele não existia aindaenquanto Jesus não era glorificado, é evidente que o Espírito Santo teve um começo no tempo. E, sendo assim, nunca foi uma terceira pessoa em uma suposta trindade de Pessoas eternas. Para compreendermos isso com simplicidade e clareza, lembremo-nos de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ou seja, com um corpo, uma alma e um espírito. A alma é essa parte invisível em nós que governa o corpo. O corpo é nosso aspecto visível e tangível, atuando sob o comando da alma. E o espírito é a ação resultante da união entre a alma e o corpo, ou seja, nossa voz, nossos gestos e nossas ações, ou tudo aquilo em nós que influencia os outros, através de nosso corpo. O corpo pronuncia e faz o que a alma quer e pensa, e nossa fala e nossa ação é a nossa personalidade, ou espírito, que influencia positiva ou negativamente os outros. E se isto é uma imagem e semelhança de Deus é porque Deus tem uma Alma, um Corpo e um Espírito. No Velho Testamento, Sua Alma era o Divino Ser, JEHOVAH, invisível e incompreensível. Seu corpo, como ainda não se havia feito carne, era o corpo representativo de um Anjo, pelo que se diz que o Anjo do Senhor apareceu a Abrahão, apareceu a Moisés na sarça (Êxodo 3:2),ia adiante da arca no desertoetc. Deus não teria necessidade de se manifestar no plano natural se a raça humana tivesse permanecido em sua integridade original. Depois da queda, contudo, Ele precisou se mostrar ao homem, e, enquanto não vinha ao mundo, aparecia através do humano de um anjo, que, por isso, era chamado Anjo de Jehovah. Quando, porém, Deus se fez carne (João 1:14), o Espírito Santo começou a existir já no momento mesmo da concepção. Uma vez que o espírito resulta da união entre a alma e o corpo, por isso, quando o Ser Divino assumiu um Corpo natural em Maria, o Espírito Santo começou a existir, pois Deus já estava revestido de elementos naturais no mundo, no ventre de Maria. Por isso lemos que Isabel foi cheia do Espírito Santo quando Maria, grávida, foi visitá-la (Lucas 1:41), Zacarias foi cheio do Espírito Santo quando João nasceu (Lucas 1:67), assim como Simeão, no templo (Lucas 2:25). Jesus foi concebido da Alma Divina, mas foi gerado em Maria, nasceu, cresceu e se desenvolveu dentro da Ordem, como qualquer homem. E à medida que se tornava Homem Divino, ia sendo glorificado gradativamente (“Já o tenho glorificado e outra vez o glorificarei”João 12:28). Todavia, a glorificação plena só se daria após consumado todo o processo, após morte na cruz, a ressurreição ao terceiro dia e a ascensão aos céus, representado que a obra de glorificação estaria completa e encerrada. Assim, enquanto Jesus estava no mundo, mesmo perto da paixão, a glorificação ainda estava se processando, à medida que o Humanocumpria os desígnios de Sua alma, à qual Ele chamava Pai. Se, todavia, esse processo não se completasse, não havendo união plena com o Pai e plena glorificação, o Espírito Santo não poderia proceder plenamente, conforme Ele disse: “Digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (João 16:7) Pelo fato de a glorificação só se completar plenamente depois que Ele subiu aos céus, por isso, depois da ressurreição, como ainda no mundo, Ele disse a Maria Madalena: “Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”(João20:17). E assim aconteceu. Depois que Jesus foi glorificado, isto é, depois que o Humano uniu-Se plenamente à Alma, então pôde proceder dessa união o Espírito da Verdade, o Consolador, que o Humano agora podia enviar desde Seu íntimo, Sua Alma, o Pai. Era Jesus mesmo, que, como Espírito Santo Consolador, estaria com os homens para sempre.E, após a glorificação, “Ele soprou sobre os Seus discípulos e disse: Recebei o Espírito Santo” (João 20:22). Assim vemos que o Espírito Santo procede e resulta da união entre o Humano tomado no tempo e no espaço e o Divino, eterno, incriado e infinito. E, com essa união, o Humano também se tornou Divino, pelo que Jesus disse que todo poder lhe era dado e se manifestou como o Alfa e Omega, o Único Deus. Não podemos nos dirigir a Deus fora da Pessoa Divina de Jesus, como ele disse: “Ninguém vem ao Pai a não ser por Mim”, pois Ele é o Pai, o Filho e o Espírito Santo ao mesmo tempo. “Isto pode ser ilustrado pela ação do coração no pulmão e sobre o pulmão; são duas coisas distintas, mas reciprocamente unidas. O pulmão respira por si mesmo segundo o coração, mas não o coração pelo pulmão... Mas isso pode ser ilustrado de mais perto pelo relacionamento mútuo da alma e do corpo; a alma e o corpo são distintos. mas reciprocamente unidos; a alma age no corpo e sobre o corpo, mas não pelo corpo, e o corpo age por si mesmo segundo a alma. Que a alma não aja pelo corpo, é porque eles não se consultam e não deliberam entre si, nem a alma ordena ou pede que o corpo aja de tal ou tal maneira ou pronuncie tal ou tal coisa; e o corpo não exige nem pede à alma que faça ou forneça alguma coisa, pois tudo o que é da alma é do corpo reciprocamente...”59