- 4.2.1.Da fé e da caridade O que é fé? Existem poucos termos nos doutrinais da igreja que sejam de mais fácil entendimento e, ao mesmo tempo, mais difícil explicação do que este, a fé. Em geral, explica-se que a fé é a certeza de algo que não se vê, como definiu o apóstolo. Por causa disso, o termo“fé” adquiriu o sentido de uma convicção cega, uma certeza obstinada sem fundamento apresentável ou, ainda, uma vontade veemente de que algo seja verdadeiro. “Fé” também é entendida como uma espécie de “força de vontade”. Como estas coisas são tão distintas e, ao mesmo tempo, tão semelhantes e tão relacionadas entre si, surge daí a dificuldade de se definir a fé. Sabemos que a fé é o conjunto de convicções que se adquire da revelação Divina (Romanos 10:17) e que cremos com certeza serem verdadeiras (Hebreus 11:1). Se, porém, cremos em algo que não é verdadeiro, nossa fé é espúria; e se cremos em algo sem saber se aquilo é verdadeiro ou não, nossa fé é cega. Então, a fé tem várias conformações, dependendo da veracidade da informação adquirida. Além disso, a fé pode vir do próprio indivíduo ou vir de Deus. Certa manhã, quando Jesus e os discípulos iam para Jerusalém, Pedro comentou com o Senhor a respeito da figueira que se secara, ao que Jesus respondeu: “Tende a fé de Deus” (Marcos 11:22). Assim se lê nos manuscritos gregos: “fé de Deus”, isto é, fé que procede de Deus, embora as traduções normalmente tenham outra coisa: “tende fé em Deus”. Nossa dedução é que os tradutores não imaginavam que a fé possa vir de Deus, e substituíram as preposições “de” por “em”.A honrosa exceção é o texto de João Ferreira de Almeida de 1693, que tem “fé em Deus”, de fato, mas por fidelidade ao original, acrescentou uma nota à margem“Ou: fé de Deus”. O que queremos destacar aqui é que Jesus mostrou que há uma fé que vem de Deus, subtendendo-se, portanto, que há fé que vem não de Deus, mas do homem. E pelos ensinamentos dos evangelhos e dos apóstolos ficamos sabendo que existe, sim, uma variedade de qualificações que se aplicam à fé.