- 4.7.Da vida após a morte Por criação, e diferentemente dos animais irracionais, o homem foi dotado de um externo e um interno. O externo é o seu corpo, e o interno é sua alma e espírito. Por seu interno o homem vive além da morte do corpo e é capaz de pensar, falar, querer e fazer. O homem mesmo é o seu interno, e o seu corpo é somente um revestimento compostos de substâncias da natureza, adaptado para a vida do interno no mundo natural. O interno, que foi adaptado para a vida no mundo espiritual, não morre,e, dependendo da vida e da fé que teve neste mundo, irá viver eternamente entre os felizes, ou céu, ou entre os infelizes, ou inferno. “A vida do homem após a morte é a vida de seu amor e a vida de sua fé. Daí, qual foi para ele o amor e qual foi a fé, quando viveu no mundo, tal permanecerá para ele a vida na eternidade. A vida do inferno é para aqueles que amaram a si e ao mundo acima de todas as coisas, e a vida do céu é para aqueles que amaram a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. Estes são os que têm fé, e aqueles os que não têm fé. A vida do céu é a que se chama vida eterna, e a vida do inferno é a que se chama morte espiritual”. 82 Quando morre e deixa para trás o seu corpo físico, o homem, quanto ao seu espírito, desperta no mundo espiritual e continua desfrutando de todos os sentidos que tinha antes no corpo, como a visão, a audição etc., pois essas faculdades eram, de fato, do espírito e não do corpo.Ele é homem, ou mulher, quanto a cada uma de suas coisas, e somente deixa para trás o corpo material, para nunca mais o retomar. A pessoa também conserva toda a sua capacidade intelectual, de pensar e entender, além das suas afeições e sua memória, de sorte que nada deixa para trás senão a matéria orgânica. As afirmações de Swedenborg sobre a vida do ser humano após a morte são frutos das inusitadas experiências que ele teve desde os 56 anos, quando seus olhos espirituais foram abertos, até a sua morte, aos 84. Por todo esse tempo ele viu e ouviu coisas admiráveis que há no mundo espiritual e, por ordem do Senhor, publicou-as pela imprensa, por uma importante razão que ele expôs no prefácio de seu livro O Céu e o Inferno, de 1758. Ele disse: “Os arcanos, que são revelados agora no que se segue, são sobre o céu e o inferno e, ao mesmo tempo, sobre a vida do homem após a morte. Hoje, o homem da igreja quase nada conhece sobre o céu e o inferno, nem sobre a sua vida após a morte, ainda que todas essas coisas se achem descritas na Palavra. E mais, muitos dos que nasceram no seio da igreja até as negam, dizendo em seus corações: “Quem veio de lá e nos contou?” Assim, para que tal negativismo - que reina principalmente naqueles que sabem muitas coisas do mundo - não infecte e corrompa também os simples de coração e de fé, foi-me concedido estar em companhia dos anjos, falar com eles como um homem com outro homem, ver as coisas que estão no céu e, também, as que estão no inferno e isso por treze anos. Foi-me concedido, assim, descrever agora essas coisas vistas e ouvidas, esperando, com isso, esclarecer a ignorância e dissipar a incredulidade. A razão de hoje existir tal revelação imediata é porque esta é o que se entende pelo advento do Senhor.”83 Visto que, após a morte do corpo, o homem ressurge exatamente como é quanto ao seu espírito, sem nada perder do que é propriamente seu, por isso a Palavra diz que o homem mesmo ressuscita, o que acontece geralmente ao terceiro dia. “Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele despedaçou e nos sarará, fez a ferida e a ligará.Depois de dois dias, nos dará a vida; ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante dele” (Oséias 6:1, 2). A crença comum de alguns no mundo cristão, de que a pessoa que morre fica dormindo até o dia do juízo final, vem do erro de se atribuir a vida do ser humanoao corpo e não ao espírito, porque, quando se crê que a vida depende do corpo material, não se pode conceber que alguém possa viver sem retornar ao seu corpo. Daí a crença de que a alma voltará ao seu corpo material, mesmo se este já tiver virado pó. A verdade é que a vida do espiritual não depende de um retorno ao corpo, à carne, o que seria de fato, um tipo de reencarnação.