. Pude ver com que avidez procuram e extraem os conhecimentos das coisas, tais como as da memória elevada acima das coisas dos sentidos do corpo, de modo que, quando examinavam o que eu sabia sobre coisas celestes, percorriam-nas todas e diziam sem se deter: "Esta é tal, aquela é tal". Com efeito, quando os espíritos vêm à pessoa, entram em toda sua memória e ali despertam as coisas que lhes convêm; e mesmo, o que muitas vezes notei, lêem como num livro as coisas que ali se encontram(11). Esses espíritos faziam isso com mais rapidez e destreza [do que outros], porque não se detinham em redor das coisas que eram pesadas e lentas, que estreitam e, conseqüentemente, retardam a visão interior, como sucede com todas as coisas terrestres e corporais quando se tem elas por fim, isto é, quando são amadas unicamente; mas eles consideravam as coisas mesmas, pois aquelas às quais o que é terrestre não adere, levam a mente (animus) para cima, assim a um campo vasto. Enquanto os objetos puramente materiais a levam para baixo, limitando-a e fechando-a. Sua avidez por adquirir conhecimentos e por enriquecer a sua memória ficou ainda mais evidente pelo seguinte: Um dia em que eu escrevia algo sobre os eventos futuros, como eles estavam afastados de mim, de maneira que não podiam examinar essas coisas pela minha memória, ficaram muito indignados porque eu não queria lê-las em sua presença e queriam, contra o seu costume comum, encolerizar-se contra mim, dizendo que eu era muito mau, e outras coisas tais, e, para mostrar a sua ira, introduziram na parte direita da minha cabeça, até a orelha, uma espécie de contração com uma dor; mas isso em nada me fez mal. Todavia, como tinham agido mal, afastaram-se ainda mais, mas, logo depois se detiveram, querendo saber o que eu escrevera: tal é o seu ardente desejo por conhecimentos.
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