. Pude perceber a presença dos espíritos de Júpiter, não só pela gentileza e suavidade de sua aproximação e influxo, mas também que influíam o máximo possível na minha face e tornavam-na alegre e risonha, e isso continuamente, enquanto estavam presentes. Diziam que dispunham assim as faces dos habitantes de sua terra quando vinham perto deles, querendo desse modo inspirar-lhes a tranqüilidade e a alegria do coração. Essa tranqüilidade e alegria, inspiradas por eles, enchiam-me sensivelmente o peito e o coração e, então, afastavam-se as ansiedades e as inquietações sobre as coisas futuras, que introduzem a intranqüilidade e o desagrado e excitam a mente com vários desvarios. Por aí pude ver qual era a vida dos habitantes da terra de Júpiter. Com efeito, pelos espíritos conhece-se a natureza dos habitantes, pois cada um traz consigo a sua vida, que teve no mundo, e a vive quando se torna um espírito. Notei que tinham um estado de beatitude ou de felicidade ainda mais interior; notei-o no que percebi que seus interiores não estavam fechados, mas sim abertos para o céu. Com efeito, quanto mais os interiores são abertos para o céu, tanto mais são capazes de receber o Divino Bem, e com ele a beatitude e a felicidade inferior. Isso é totalmente diferente no caso de outros que não vivem na ordem do céu; neles os interiores estão fechados e os exteriores abertos para o mundo.