. Também me foi mostrado o tipo de face que têm os habitantes da terra de Júpiter. Não que eu tenha visto os próprios habitantes, mas pelo fato de que vi espíritos com uma face semelhante à que tinham quando estavam em sua terra. Todavia, antes que isso me fosse mostrado, apareceu um de seus anjos por detrás de uma nuvem branca, que lhes deu permissão e, então, duas faces me foram mostradas. Eram como as faces das pessoas de nossa Terra, brancas e belas; a sinceridade e a modéstia brilhavam delas. Quando os espíritos de Júpiter estavam junto a mim, as faces das pessoas de nossa Terra pareciam-me menores que de costume; isso acontecia porque daqueles espíritos influía a idéia que tinham sobre as suas próprias faces, que eram maiores; pois, quando vivem como pessoas comuns em sua terra, crêem que após a morte suas faces se tornarão maiores e assumirão uma forma arredondada; e como essa idéia ficou fixa neles, por isso ela também permanece e, quando se tornam espíritos, parece-lhes ter uma face maior. Se crêem que suas faces se tornarão maiores, é porque dizem que a face não é o corpo, e isso, porque por ela vêem, ouvem, falam e apresentam o que pensam, e assim a mente transparece por ela. Daí têm da face uma idéia como da mente em sua forma; e como sabem que se tornarão mais sábios após a vida no mundo, portanto sabem que a forma da mente, ou seja, a face, se tornará mais ampla. Crêem também que após a morte perceberão um fogo que aquecerá sua face; deduzem isso de que os mais sábios dentre eles sabem que o fogo, no significado espiritual, simboliza o amor, e o amor é o fogo da vida, e é desse fogo que os anjos têm vida(22). Os que dentre eles viveram no amor celeste gozam o que escolheram, e percebem sua face aquecer-se e, então, os interiores de sua mente são abrasados pelo amor. Por essa razão, os habitantes dessa terra também lavam e limpam bastante a sua face, e protegem-na com zelo do ardor do sol; têm um véu de cor azul feito de líber ou de casca de árvore, com que envolvem a cabeça e assim cobrem a face. Quanto às faces das pessoas de nossa Terra, que viam por intermédio de meus olhos(23), diziam que não eram belas, e que a beleza nelas existia na pele externa, e não nas fibras do interior. Admirados de que as faces de alguns eram verrugosas e pustulentas, ou deformadas de outros modos, diziam que nunca se vê neles faces semelhantes. Entretanto, algumas faces agradavam-lhes, a saber, as que eram alegres e risonhas, e as que se alongavam um pouco ao redor dos lábios.