. Os habitantes da terra de Júpiter atribuem a sabedoria ao pensar bem e justamente sobre as coisas com que se deparam na vida; derivam esta sabedoria dos pais desde a infância, que é sucessivamente transmitida pela posteridade e aumenta por causa do amor da sabedoria, visto que este se encontra nos pais. Dos conhecimentos tais como existem na nossa Terra não sabem absolutamente coisa alguma e nem querem saber. Chamam-nos de trevas e comparam-nos a nuvens que se interpõem ao sol. Essa idéia dos conhecimentos deduziram de certas pessoas provindas de nossa Terra, que se gabaram diante deles de serem sábias pelos conhecimentos. Os espíritos de nossa Terra que assim se gabaram foram os que tinham pensado que a sabedoria consistia nas coisas de pura memória, como por exemplo, nas línguas, principalmente a hebraica, a grega e a latina, nos clássicos do mundo literário, na opinião dos críticos, nas simples descobertas experimentais e nos termos, sobretudo nos termos filosóficos e em outras coisas semelhantes, e disso não se serviram como meios para alcançar a sabedoria, porque consideraram essas coisas mesmas como a sabedoria em si. [%%2] Esses, visto que não cultivaram sua faculdade racional pelos conhecimentos como meios, na outra vida têm pouca percepção, pois só conseguem ver as coisas em termos e por meio de termos e, para os que vêem assim, coisas tais com esses termos são como poeira e nuvens diante da visão intelectual [vide item no 38]; e os que se orgulharam da erudição proveniente de tais coisas percebem ainda menos. Quanto aos que se serviram dos conhecimentos como meios para debilitar e aniquilar as coisas que concernem à igreja e à fé, esses destruíram inteiramente o seu entendimento e enxergam nas trevas tais como corujas, vendo, assim, a falsidade como verdade e o mal como bem. Os espíritos de Júpiter, do seu relacionamento com tais espíritos, concluíram que os conhecimentos induzem à escuridão e cegam. Mas foram informados que nesta Terra os conhecimentos são os meios de se abrir a visão intelectual que está na luz do céu; porém, como as coisas que pertencem à vida puramente natural e aos sentidos ali reinam, os conhecimentos também lhes são meios de se tornarem insensatos, isto é, de se confirmarem pela natureza contra o Divino e, pelo mundo, contra o céu. Ainda mais, foi-lhes dito que os conhecimentos, em si mesmos, são riquezas espirituais e aqueles que estas possuem são como os que possuem riquezas mundanas, que igualmente são meios de se prestar usos para si, para o próximo e para a pátria, e também meios de se fazer o mal; e ainda mais, que os conhecimentos são como vestes que servem para o uso e o adorno, e também para o orgulho, como no caso dos que só por causa de suas roupas querem ser honrados. Os espíritos da terra de Júpiter entenderam muito bem isso; mas ficaram admirados de que esses espíritos, quando viveram na Terra, se detivessem nos meios, e que tivessem preferido a sabedoria mesma às coisas que conduzem a ela e não tivessem visto que mergulhar a mente em tais coisas e não se elevar além delas é cobrir-se com escuridão e cegar-se.