. No que precedeu ainda não foi exposto de que natureza são os anjos dessa terra; com efeito, os que vêm para as pessoas de sua terra e colocam-se perto da cabeça, dos quais se falou acima, no no 73, não são anjos no seu céu interior, mas são espíritos angélicos, ou seja anjos no seu céu exterior; e, como me foi desvendado de que natureza são também os primeiros anjos, é permitido relatar o que me foi dado saber sobre eles: Um desses espíritos de Júpiter, que incutem medo quando se aproximam, encostou-se no meu lado esquerdo sob o antebraço, e daí falava; mas sua fala era estridente, e as palavras não eram suficientemente distintas nem separadas entre si, de forma que eu tinha que esperar um longo tempo antes de entender o sentido; e, enquanto falava, interpunha também um pouco de medo, assim me advertindo que eu acolhesse bem os anjos, quando chegassem; mas, foi-me dado responder que isso não depende de mim, e que todos são acolhidos comigo de acordo com o que eles próprios são. Logo depois vieram anjos daquela terra, e foi-me dado perceber, pelo seu tom de voz comigo, que diferiam inteiramente dos anjos de nossa Terra; pois sua linguagem se fazia, não por meio de palavras, mas por meio de idéias que de todo lado se estendiam por meus interiores e, por conseguinte, também possuíam um influxo na face, de modo que a face concorria para cada detalhe da linguagem, começando pelos lábios e continuando para a circunferência por todos os lados. As idéias, que se usavam em lugar das palavras, eram separadas umas das outras, mas muito pouco. Em seguida, me falaram por meio de idéias ainda menos separadas umas das outras, de tal modo que mal se percebia qualquer intervalo; eu percebia algo como o significado das palavras que as pessoas que só prestam atenção ao significado abstraído das palavras percebem. Essa linguagem era para mim mais inteligível que a primeira e era também mais completa. Influía do mesmo modo que a primeira, na face, mas o influxo era, de acordo com a qualidade dessa linguagem, mais contínuo; todavia, não começava, como o primeiro, pelos lábios, mas sim pelos olhos. Em seguida, falaram ainda com mais continuidade e plenitude e, então, a face não pôde responder com uma expressão adequada; mas o influxo era sentido no cérebro, e este, então, respondia de modo semelhante. Enfim, falaram de um jeito que a linguagem caía somente no entendimento interior; sua fluência era como a de um vento brando; o influxo em si, eu percebia, porém, os detalhes só indistintamente. Esses tipos de linguagem comportavam-se como fluidos; o primeiro tipo como a água no estado líquido, o segundo como uma água menos densa, o terceiro relativamente como um gás, e o quarto, como uma atmosfera menos densa ainda. O espírito que estava no meu lado esquerdo, do qual se tratou acima, por vezes interrompia, advertindo-me, sobretudo, de que eu agisse de modo certo com os anjos de sua terra, pois havia espíritos de nossa Terra que introduziam coisas desagradáveis; dizia que não tinha à primeira vista compreendido o que os anjos diziam, mas que depois, quando se aproximou de minha orelha esquerda, tinha compreendido. Então, também sua fala não era estridente como antes, mas era como a dos outros espíritos.