Os espíritos e os habitantes da Lua
111. Alguns espíritos apareceram acima de minha cabeça e, dali, foram ouvidas vozes como trovões, pois suas vozes ressoavam do mesmo modo que os estrondos de trovão nas nuvens, logo depois do relâmpago. Eu presumia que fosse uma grande multidão de espíritos que sabiam emitir sons habilmente com tal estrondo. Uns espíritos mais simples que estavam junto a mim zombavam deles, do que me admirei muito. O motivo dessa zombaria foi-me logo revelado: é que os espíritos que faziam esse estrondo de trovão não eram muitos, mas sim em pouco número e também pequenos como crianças, e antes eles lhes tinham incutido medo com tais sons, quando, no entanto, absolutamente não eram capazes de causar-lhes o menor dano. A fim de que eu soubesse quais eles eram, alguns desceram do alto lugar onde trovejavam; e, o que me admirou, um carregava o outro em suas costas e, assim, se aproximavam de mim em pares. Suas faces não pareciam disformes, mas eram mais alongadas que a de todos os outros espíritos; sua estatura era a mesma de uma criança de sete anos, mas seu corpo era mais robusto; assim, eram anões. Fui informado pelos anjos de que eram provenientes da Lua. Um dos que eram carregados veio junto a mim, encostando-se ao meu lado esquerdo sob o antebraço e, dali, falava, dizendo que, quando emitem sua voz, trovejam assim e, desse modo, amedrontam os espíritos que querem fazer-lhes mal e põem-nos em fuga e, dessa forma, vão aonde quer que queiram em segurança. Para convencer-me de que o som vinha deles, aquele se retirou de mim para junto de outros, mas não inteiramente fora do alcance de minha vista e trovejou do mesmo modo. E ainda mais, mostravam-me que sua voz, impelida do abdome como um arroto, produzia assim o estrondo do trovão. Percebi que isso vinha do abdome, porque os habitantes da Lua falam, não por meio dos pulmões como os habitantes de outras terras, mas por meio do abdome e, assim, por um certo ar que ali se acha contido; e isso porque a Lua não é envolvida por uma atmosfera da mesma natureza que a das outras terras. Fui informado que os espíritos da Lua, no Máximo Homem, têm relação com a cartilagem em forma de escudo ou xifóide, à qual, na frente, estão ligadas as costelas e de onde desce a pequena ligadura branca, que é o suporte dos músculos do abdome.