Da primeira terra no céu estelar. De seus espíritos e de seus habitantes, segundo o que foi ouvido e visto 127. Fui guiado pelo Senhor por intermédio de anjos a uma terra no céu estelar onde me foi possível observar a terra mesma, e falar não, é certo, com os habitantes de lá, mas sim com os espíritos que dela provêm. Todos os habitantes, ou seja, as pessoas de cada terra, após o término de sua vida no mundo, tornam-se espíritos e permanecem junto à sua terra. É por intermédio desses, entretanto, que se adquire conhecimentos sobre a sua terra e sobre o estado dos habitantes nela; pois as pessoas que se retiram do corpo levam consigo toda sua vida anterior e toda a sua memória(45). Ser guiado para as terras no universo não é ser guiado e transportado para elas quanto ao corpo, mas sim quanto ao espírito; e o espírito é guiado pelas variações de estado da vida interior que lhe aparecem como progressões através dos espaços [vide item no 45]. As aproximações fazem-se também segundo a harmonia ou semelhança dos estados de vida, pois a harmonia ou semelhança de vida une, e a desarmonia ou dessemelhança separa. Daí se pode ver como se dá o transporte quanto ao espírito e a aproximação do espírito aos lugares afastados, com a pessoa permanecendo, contudo, em seu lugar. Mas guiar o espírito pelas variações do estado de seus interiores fora de seu globo, e fazer que as variações progridam em sucessão até um estado harmônico ou semelhante ao estado daqueles aos quais é conduzido, isso está no poder do Senhor, só, pois é preciso que haja uma direção contínua e uma previsão do começo ao fim, deste lado e por detrás, sobretudo para que isso se faça com uma pessoa que está ainda na natureza do mundo quanto ao corpo e, por isso mesmo, no espaço. Que isso tenha sido feito assim, os que estão nas coisas dos sentidos corporais e que pensam segundo essas coisas não podem ser levados a crer; e isso porque as coisas dos sentidos corporais não podem compreender as progressões sem espaços. Todavia, os que pensam segundo as coisas dos sentidos de seu espírito, um pouco afastadas ou removidas das coisas dos sentidos do corpo, assim mais interiormente em si mesmos, podem ser levados a crê-lo e a compreendê-lo, porque na idéia do pensamento interior não há espaço nem tempo, mas em vez de espaço e tempo, há as coisas de onde se originam os espaços e os tempos. É, então, a estes que são dados os pormenores que seguem sobre as terras no céu estelar, e não aos outros, a menos que sejam capazes de se deixar instruir.