. (iii.) Se o homem tem muito conhecimento e sabe muitas coisas, e não foge dos males como pecados, não é realmente sábio. Isto vem da mesma razão acima dada, a saber: que ele é sábio por si mesmo e não pelo Senhor. Ainda que conheça à risca a doutrina de sua igreja e todas as coisas que a ela se referem; que saiba confirmá-las pela Palavra e pelos raciocínios; que conheça as doutrinas de todas as igrejas desde séculos e, ao mesmo tempo, os editos de todos os concílios; ainda mesmo que saiba as verdades, e mesmo as veja e as compreenda; que saiba, por exemplo, o que é a fé, o que é a caridade, o que é a piedade, o que é a penitência e a remissão dos pecados, o que é a regeneração, o que é o batismo e a santa Ceia, o que é o Senhor, e o que é a redenção e a salvação; se, todavia, não foge dos males como pecados, não sabe realmente tais coisas, porque são conhecimentos sem vida, uma vez que pertencem somente a seu entendimento e não ao mesmo tempo à sua vontade. Tais conhecimentos perecem com o tempo, pela razão de que se falou acima (n. 15). Também, depois da morte, o homem mesmo os rejeita, porque não concordam com o amor da sua vontade. Todavia esses conhecimentos são extremamente necessários, porque ensinam como o homem deve agir; e, se ele os põe em pratica, então os conhecimentos vivem com ele, porém não antes.