VIDA &30

Doutrina de Vida
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Vida

. A Palavra, nas passagens seguintes, ensina que, enquanto o homem não tiver sido purificado dos males, seus bens não são bens, sua piedade não é piedade, e ele não tem sabedoria; e vice-versa.
"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque vos fazeis semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora, realmente, parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos..., mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade. Ai de vós... porque limpais o exterior do copo e do prato, mas os interiores estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo." (Mat. 23:25-28).
Também por esta passagem, em Isaías:
"Ouvi a palavra de JEHOVAH, príncipes de Sodoma; ouvi a lei do nosso Deus, povo de Gomorra. Que é para Mim a multidão dos vossos sacrifícios? ... Não continueis mais a trazer minchah de vaidade; o incenso é para Mim abominação, a lua nova e o sabbath, ... não posso suportar a iniqüidade;... vossas luas novas e vossas festas solenes Minha alma odeia... Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os Meus olhos; ainda que multipliqueis a oração, Eu não ouço; as vossos mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, removei malícia de vossas obras de diante dos Meus olhos, cessai de fazer o mal. ... Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos, se tornarão como a lã." (1:10-18).
Em suma, resulta dessas passagens que, se o homem não foge dos males, todas as coisas do seu culto não são boas; o mesmo sucede com todas as suas obras, porque foi dito:
"Não posso suportar a iniqüidade; purificai-vos, removei a malícia de vossas obras, cessai de fazer o mal."
Em Jeremias:
"Convertei-vos cada um do seu mau caminho, e fazei boas as vossas ações." (35:15).
Que eles não tenham sabedoria, vê-se em Isaías:
"Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e, diante de suas próprias faces, inteligentes!." (5:21).
No mesmo:
"Perecerá a sabedoria dos sábios ... e a inteligência dos inteligentes; ai daqueles que sabem profundamente... e fazem nas trevas as suas obras." (29:14,15).
E, em outra passagem, no mesmo:
"Ai dos que descem ao Egito por auxílio, e se estribam em cavalos, e confiam em carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são fortes; ... mas não atentam para o Santo de Israel, e a JEHOVAH não buscam. ... Mas [Ele] Se levantará contra a casa dos malignos, e contra o auxílio dos que obram iniqüidade; pois o Egito não é Deus, e o seu cavalo é carne e não espírito." (31:1-3).
Assim é descrita a própria inteligência: o "Egito" é a ciência, o "cavalo" é o entendimento que dela provém; o "carro= é a doutrina que daí procede; o "cavaleiro" é a inteligência que procede daí; sobre essas coisas se diz:
"Ai daqueles que não atentam para o Santo de Israel, e a JEHOVAH não buscam!" Sua destruição pelos males é entendida por "[Ele] Se levantará contra a casa dos malignos, e contra o auxílio daqueles que obram iniqüidade";
por "o Egito é homem e não Deus, e os seus cavalos carne e não espírito", é entendido que estas coisas vêm do próprio do homem, e portanto não têm vida alguma. "Homem" e "carne" são o próprio do homem, "Deus" e >espírito= são a vida proveniente do Senhor; os "cavalos do Egito" são a própria inteligência. Há, na Palavra, sobre a inteligência que vem de si e sobre a inteligência que vem do Senhor, muitas outras passagens assim, que são desvendadas somente pelo sentido espiritual.
Que ninguém seja salvo pelos bens vindos de si, porque não são bens, isso é evidente por estas passagens:
"Nem todo o que Me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai... Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos pelo Teu nome? e pelo Teu nome não expulsamos demônios? e em Teu nome não fizemos muitas virtudes? Mas então lhes confessarei: Nunca vos conheci, apartai-vos de Mim, vós que obrais iniqüidade". (Mat. 7:21-23).
E em outro lugar:
"Então começareis a estar de fora, e a bater à porta, dizendo: Senhor..., abre-nos: ... e começareis a dizer: Comemos diante de Ti, e bebemos, e nas nossas praças ensinaste; mas dirá: Digo-vos, não sei donde vós sois; apartai-vos de Mim, vós todos, obreiros de iniqüidade." (Luc. 13:25-27).
Com efeito, são semelhantes ao fariseu que, no templo, estando em pé, orava dizendo que não era, como o restante dos homens, roubador, injusto e devasso; que jejuava duas vezes na semana, e dava dízimos de tudo que possuía (Luc. 18:11-14). São também os que são chamados "servos inúteis." (Luc. 17:10).

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