. Que o homem possa saber, pensar e compreender muitas coisas e, todavia, não ser sábio, mostrou-se acima, ns. 27 e 28. E como pertence à fé saber e pensar, e ainda mais compreender que uma coisa é de tal ou tal modo, o homem pode assim crer que tem a fé, e todavia não a ter. O que faz que não a tenha é que ele está no mal da vida, e o mal da vida e o vero da fé nunca podem agir juntamente. O mal da vida destrói o vero da fé, porque o mal da vida pertence à vontade e o vero da fé ao entendimento, e a vontade conduz o entendimento e faz que aja juntamente consigo; por isso, se no entendimento há alguma coisa que não concorde com a vontade, quando o homem está entregue a si mesmo e pensa segundo o seu mal e segundo o amor desse mal, ou ele repele o vero que está no entendimento, ou o força a ser um por falsificação. Sucede de outro modo naqueles que estão no bem da vida; estes, entregues a si mesmos, pensam pelo bem e amam o vero que está no entendimento, porque está em concordância. Assim, a conjunção da fé e da vida se faz como a conjunção do vero e do bem, sendo que essas duas conjunções são como a conjunção do entendimento e da vontade.