. Visto que os gêneros de homicídios acima designados, estão, como foi dito, latentes no íntimo do homem por nascimento, e, ao mesmo tempo, os roubos de todo gênero e todo gênero de falsos testemunhos, com as concupiscências para tais males, dos quais se tratará adiante, é claro que, se o Senhor não tivesse provido os meios de reforma, o homem não teria podido deixar de perecer pela eternidade. Os meios de reforma, aos quais o Senhor tem provido, são estes: ao nascer, o homem está em mera ignorância, e logo que nasce é mantido em um estado de inocência externa; pouco depois, num estado de caridade externa, e, em seguida, num estado da amizade externa. Mas quando entra no pensamento pelo seu entendimento, é mantido em uma espécie de liberdade de agir segundo a razão. É esse estado que foi descrito acima, n. 19, e que é necessário repetir aqui, em razão do que será dito na seqüência, a saber: "Enquanto está no mundo, o homem está em um meio entre o inferno e o céu; abaixo está o inferno e acima está o céu, e assim é mantido na liberdade de se voltar ou para o inferno ou para o céu; se se volta para o inferno, desvia-se do céu; mas se se volta para o céu, desvia-se do inferno. Ou, o que é a mesma coisa: enquanto está no mundo, o homem está em um meio entre o Senhor e o diabo, e é mantido na liberdade de se voltar ou para um ou para outro; se se volta para o diabo, desvia-se do Senhor; mas se se volta para o Senhor, desvia-se do diabo. Ou, o que é ainda a mesma coisa: enquanto está no mundo, o homem está em um meio entre o mal e o bem, e é mantido na liberdade de se voltar ou para um ou para outro; se se volta para o mal, desvia-se do bem; mas se se volta para o bem, desvia-se do mal." Isto foi dito acima, n.1 19. Vide também os ns. 20 a 22, que ali se seguem.