. Quando o homem não está mais no mal do homicídio, mas no bem do amor para com o próximo, então tudo o que ele faz é o bem desse amor, por conseqüência, é uma boa obra. O sacerdote que está nesse bem faz uma boa obra todas as vezes que ensina e conduz, porque é pelo amor de salvar as almas. O magistrado que está nesse bem faz uma boa obra todas as vezes que prepara e julga, porque é pelo amor de cuidar da pátria, da sociedade e dos concidadãos. Semelhantemente o negociante: se está nesse bem, toda operação do seus negócios é uma boa obra, está no amor para com o próximo, e o próximo são a pátria, a sociedade, os concidadãos e também as pessoas de casa, dos quais cuida como de si mesmo. Também o operário, que está nesse bem quando trabalha fielmente para os outros como para si próprio, temendo causar dano ao próximo como a si mesmo. Que os seus feitos sejam boas obras, é porque quanto mais alguém foge do mal, mais pratica o bem, segundo a lei geral (vide acima, n. 21); e quem foge do mal como pecado faz o bem não por si, mas pelo Senhor (ns. 18 a 31). O contrário se dá com aquele que não considera como pecados os diversos gêneros de homicídios que são as inimizades, os ódios, as vinganças e muitos outros, quer seja sacerdote, magistrado, negociante ou operário; tudo o que faz não é boa obra, porque todas as suas obras participam do mal que está interiormente nele. Com efeito, seu interno é que as produz; o externo pode ser bom, mas para os outros, não para ele.