. Há no homem uma mente natural e uma mente espiritual. A mente natural está em baixo, e a mente espiritual em cima. A mente natural é a mente de seu mundo, e a mente espiritual é a de seu céu. A mente natural pode ser chamada mente animal, e a espiritual mente humana. O homem é distinguido do animal por isso, que há nele uma mente espiritual pela qual pode estar no céu enquanto está no mundo. É também por esta mente que o homem vive depois da morte.
[2] Pelo entendimento, o homem pode estar na mente espiritual e, por conseguinte, no céu; mas, pela vontade, ele não pode estar na mente espiritual e, portanto, no céu, se não fugir dos males como pecados. E se não estiver aí também pela vontade, não está entretanto no céu, porque a vontade arrasta o entendimento para baixo, e faz que ele se torne com ela igualmente natural e animal.
[3] O homem pode ser comparado a um jardim: o entendimento, à luz, e a vontade, ao calor. Na tempo do inverno, o jardim está na luz e não ao mesmo tempo no calor; mas, no tempo do verão, está na luz e ao mesmo tempo no calor. É por esse motivo que o homem que está somente na luz do entendimento é como um jardim no tempo do inverno; mas o que está ao mesmo tempo na luz do entendimento e no calor da vontade é como um jardim no tempo do verão. Também, o entendimento é sábio pela luz espiritual, e a vontade ama pelo calor espiritual, pois que a luz espiritual é a Divina Sabedoria e calor espiritual é o Divino Amor.
[3] Enquanto não foge dos males como pecados, as concupiscências dos males obstruem os interiores da mente natural por parte da vontade; elas formam aí um denso véu e como que uma nuvem escura sob a mente espiritual, e impedem que esta se abra. Porém, logo que o homem foge dos males como pecados, então o Senhor influi do céu, e tira o véu, e dissipa a nuvem, e abre a mente espiritual, e assim introduz o homem no céu.
[4] Enquanto as concupiscências dos males obstruírem os interiores da mente natural, como já se disse, o homem está no inferno. Mas logo que essas concupiscências são dissipadas pelo Senhor, o homem está no céu. E mais, enquanto as cobiças dos males obstruírem os interiores da mente natural, o homem é natural; mas logo que essas cobiças são dissipadas pelo Senhor, o homem é espiritual. E ainda mais, enquanto as cobiças dos males obstruírem os interiores da mente natural, o homem é animal; ele difere unicamente do animal pelo fato de poder pensar e falar, até sobre as coisas que não vê com os olhos, o que lhe vem da faculdade que possui de elevar seu entendimento à luz do céu.
[5] Mas logo que essas concupiscências são dissipadas pelo Senhor, o homem é homem, porque então pensa o vero no entendimento pelo bem na vontade. Enfim, enquanto as concupiscências dos males obstruírem os interiores da mente natural, o homem é como um jardim no tempo do inverno; mas logo que essas concupiscências são dissipadas pelo Senhor, é como um jardim no tempo do verão.
[6] A conjunção da vontade com o entendimento no homem é o que se entende, na Palavra, pelo "coração" e a "alma", e pelo "coração" e o "espírito", como onde se diz que se deve amar a Deus
"de todo o coração e de toda a alma." (Mat. 22:37),
que Deus dará
"um novo coração e um novo espírito" (Ezeq. 11:19; 36:26, 27);
pelo "coração" se entende a vontade e seu amor; e pela "alma" e o "espírito", o entendimento e sua sabedoria.
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