. Há muitas e variadas causas que fazem que o homem seja moral na forma externa, mas se não se torna moral também na interna, não é realmente moral. Por exemplo, se alguém se abstém dos adultérios e das escortações por temor da lei civil e de suas penas; pelo temor da perda da reputação e, daí, da honra; pelo temor das enfermidades provenientes; pelo temor das querelas no lar com a esposa e, daí, perder a tranqüilidade da vida; pelo temor da vingança do marido ou dos parentes; por indigência ou por avareza; por debilidade proveniente ou de doença, ou do abuso ou da velhice, ou da impotência; se mesmo se abstém por causa de alguma lei natural ou moral, e não ao mesmo tempo por uma lei espiritual, ele, todavia, não passa de um adúltero e devasso interior. Com efeito, crê, não obstante, que esses males não são pecados e, por conseguinte, não os considera ilícitos em seu espírito, diante de Deus. E assim, em seu espírito os comete, ainda que não os cometa no corpo, diante do mundo. Por isso, após a morte, quando se torna espirito, fala abertamente a favor desses males. Por aí é evidente que um ímpio pode fugir dos males como coisas danosas, mas só um cristão pode fugir dos males como pecados.