- Nas Igrejas Christãs de hoje chama-se comumente nosso Senhor de Filho de Maria e raramente Filho de Deus, a não ser que então se entenda o Filho de Deus nascido de toda a eternidade; isto provém de que os católicos romanos santificaram acima de tôdas as outras, Maria Mãe, e a colocaram como Deusa ou como Rainha à testa de todos os santos, quando entretanto Senhor quando glorificou Seu Humano, despojou-se de tudo que tinha de Maria e revestiu-se de tudo que pertencia ao Pai, que será plenamente demonstrado na continuação desta Obra. Dêste nome comum de Filho de Maria, que está na boca de todos, fluíram na Igreja várias enormidades, sobretudo entre aqueles que não submeteram à reflexão o que o Senhor disse na Palavra, por exemplo: que o Pai e Éle são um; que Éle está no Pai e que o Pai está n'Ele; que tudo que é do Pai é d'Êle; que Êle mesmo chamou Jehovah Seu Pai; e que Jehovah 0 chamou Seu Filho. As Enormidades que fluíram na Igreja pelo fato de aí se chamar o Senhor de Filho de Maria e não Filho de Deus, são, que, a respeito do Senhor, a idéia de Divindade perece e com ela tudo que, na Palavra, foi dito d'Êle como Filho de Deus; e que por aí entram o Judaísmo, o Arianismo, o Socinianismo, o Calvinismo tal como foi no comêço, enfim o Naturalismo; e com o naturalismo a idéia fanática de que o Filho de Maria vinha de José, que Sua Alma vinha de Sua mãe e que assim Ele é chamado Filho de Deus e não o é; que cada um se consulte, seja eclesiástico, seja leigo e que examine se concebeu e se manteve uma idéia do Senhor como Filho de Maria que não fosse a de um simples homem. Como uma tal idéia tinha, já no terceiro século, começado a prevalecer entre os christãos quando os Arianos se levantaram, é por isso que o Concílio de Nicéa, a fim de reivindicar para o Senhor a Divindade, supôs um Filho de Deus nascido de toda a eternidade e por esta ficção o Humano do Senhor era então, elevado para Deus; e Êle o é também por muitos, mas não entre aqueles que pela união hipostática entendem a união como entre dois, dos quais um está acima e o outro está embaixo. Mas o que resulta daí senão que toda a Igreja Christã perece, ela que foi fundada únicamente sobre o culto de Jehovah no Humano, por conseqüência sobre Deus-Homem; que ninguém possa ver o Pai nem 0 conhecer, nem vir a Êle, nem crêr n'Ele, a não ser por Seu Humano, é o que o Senhor declara em grande número de passagens; se isso não tem lugar, toda semente nobre da Igreja é mudada em semente ignóbil: a semente da oliveira em semente de pinheiro; a semente da laranjeira, do limoeiro, da macieira, da pereira, em semente de salgueiro, de olmeiro, de tilia, de azinheiro; a cêpa, em junco do pântano, o trigo e a cevada, em palha; e mesmo todo alimento espiritual se torna como o pó de que se nutrem as serpentes; pois no homem a luz espiritual se torna uma luz natural e, enfim, sensual, corporal, que, considerada em si mesma, é uma luz fantástica; mais ainda: o homem torna-se como um pássaro que, quando está voando no ar, sendo de repente privado de suas asas, cai sobre a terra onde, caminhando, não vê mais em torno dêle senão o que está diante de seus pés; e então sobre os espirituais da Igreja, que devem ser para a vida eterna, este homem não pensa de modo diferente de um adivinho; eis o que acontece, quando o homem considera o Senhor Deus Redentor e Salvador como simples Filho de Maria, por conseqüência como um simples homem.