- VI. DA TRINDADE NICEANA E AO MESMO TEMPO ATANASIANA SAIU A FÉ QUE PERVERTEU TORDA A IGREJA CRISTA. Que a Trindade Niceana e ao mesmo tempo Atanasiana, seja uma Trindade de Deuses, vê-se explicado acima segundo seus símbolos, n. 172; daí saiu a fé da Igreja de hoje, que é em Deus Pai, em Deus Filho e em Deus Espírito Santo; em Deus Pai, para que Ele impute a justiça do Salvador seu Filho e a atribua-ao homem; em Deus Filho, para que Éle Interceda e estipule; no Espírito Santo, para que Êle, efetivamente, inscreva a justiça do Filho imputada e que, depois de a ter estabelecido a sele, santificando e regenerando o homem; eis a Pé de hoje, a qual só pode testemunhar que é uma Trindadede Deuses que é reconhecida e adorada. Da Fé de cada Igreja decorre não somente todo seu culto, mas também toda sua parte dogmática; por conseguinte, pode-se dizer que tal é a fé da Igreja, tal é sua doutrina; que esta fé, porque é a fé em três Deuses, tenha pervertido tôdas as cousas da Igreja, é o que resulta daí; pois a Fé é o princípio e os doutrinais são os principiados; e os principiados tiram sua essência do princípio. Se alguém submete a exame cada um dos doutrinais, por exemplo, aqueles que concernem a Deus, à Pessoa do Christo, à Caridade à Penitência, à Regeneração, ao Livre Arbítrio, à Eleição, ao uso dos sa-cramentos do Batismo e a Santa Ceia, verá claramente que a Trindade de Deuses está em cada doutrinal, e se aí não parece estar efetivamente, não obstante a doutrina ressalta daí como de sua fonte. Mas como um tal exame não pode ser feito aqui e que, entretanto, é necessário que seja feito para abrir os olhos, será acrescentado a esta Obra um Apêndice, no qual isso será demonstrado. A Fé da Igreja sobre Deus é como a Alma do corpo; e os doutrinais são como seus membros; e, além disso, a Fé em Deus é como uma Rainha, e os dogmáticos são como oficiais da sua corte; e do mesmo modo que èstes dependem das ordens dadas pela Rainha, do mesmo modo os dogmáticos dependem do enunciado da fé; segundo esta fé somente pode- se ver como é entendida a Palavra na Igreja, pois a fé se aplica e puxa para si tudo que pode; se a fé é falsa, ela se prostitui com todo vero da Igreja, ou volta para a esquerda e o falsifica e torna o homem insensato nos espirituais; mas se a Fé é verda-deira, é então favorável a toda a Palavra; e o Deus da Palavra, que é o Senhor Deus Salvador, espalha a luz, inspira com seu Divino assentimento, e faz com que o homem se torne sábio. Que a fé de hoje, que na forma interna é a fé de três Deuses e, na forma externa, a fé em um único Deus, tenha extinguido a luz da Palavra e afastado da Igreja o Senhor e assim tenha precipitado sua manhã na noite, ver-se-á também no Apêndice; isso foi feito pelas heresias antes do Concílio de Nicéa; e em seguida, pelas heresias provindas dêste Concílio e após êste Concílio; mas que confiança se pode ter em Concílios que não entram pela Palavra no Aprisco, mas sobem por um outro lugar, segundo as palavras do Senhor em João X, 1, 9; sua deliberação é muito semelhante à marcha de um cego de dia, ou de um homem tendo olhos de noite, que um e outro não vêem o fosso antes de nêle caírem. Por exemplo, que confiança se pode ter em Concílios que estabeleceram o Vigariato do Papa, a Apoteose de mortos e sua invocação como se fossem Deidades (Numina), a veneração de suas imagens, a autoridade de indulgências, a divisão da Eucaristia, etc.? Que confiança se pode ter em um Concílio que firmou a execrável Predestinação? e esta Predestinação, êles a suspenderam como um Palácio da religião diante dos templos de sua Igreja. Mas, 6 meu amigo, dirige-te ao Deus da Palavra; entra assim pela porta no Aprisico, isto é, na Igreja, e serás ilustrado; verás, tu mesmo, como do alto de uma montanha não somente os passos e os erros do maior número, mas também os teus passos precedentes e os teus precedentes erros na sombria floresta ao pé da montanha.