- Segundo Memorável Um dia, eu cogitava em meu pensamento em que região da Mente residem no homem as cousas Teológicas; e, como são espirituais e celestes, eu acreditava a princípio, que era na região suprema; pois a Mente humana é distinguida em três Regiões, como uma casa de três andares, e semelhantemente como as habitações dos Anjos nos três Céus; então, se apresentou um Anjo e disse: Naqueles que amam o Vero porque é o Vero, as coisas da Teologia se elevam até à Região suprema porque lá está o seu Céu e porque elas estão na luz em que estão os Anjos; as cousas Morais, teóricamente examinadas e percebidas, se colocam sob elas na segunda Região porque comunicam com os espirituais; e as coisas Políticas sob estas na terceira; mas as cousas Científicas, que são em número muito grande e podem se classificar em gêneros e espécies, constituem as portas para essas cousas superiores. Naqueles em que as cousas espirituais, morais, políticas e científicas, foram assim subordinadas, pensam o que pensam e fazem o que fazem, segundo a justiça e o julgamento; e isso, porque a Luz do vero, que é também a Luz do Céu, ilumina, da Região suprema, as coisas que estão nas Regiões seguintes, como a Luz do Sol, atravessando os éteres e progressivamente o ar, ilumina a vista dos homens, das bêstas e dos peixes. Mas acontece de modo completamente diferente -com as cousas Teológicas naqueles que amam o vero; não porque é o vero, mas únicamente pela glória de sua reputação; nestes, as cousas Teológicas residem na última Região onde estão as cousas científicas, com as quais em alguns, elas se misturam; e em outros, não podem se misturar; sob elas, na mesma Região estão as cousas políticas e sob estas, as cousas Morais, pois que nêles as duas Regiões superiores não foram abertas do lado direito; por isso, não há nêles nenhuma razão interior de julgamento, nem nenhuma afeição interior de justiça, mas há únicamente uma destreza engenhosa, pela qual, podem falar de tudo como pela inteligência e confirmar tudo que se apresenta como pela razão, mas os objetos da razão, que êles amam principalmente são os falsos, porque os falsos são coerentes com as ilusões dos sentidos. Daí vem que, no Mundo, haja tantos homens que não vêem os veros da Doutrina pela Palavra mais do que os cegos de nascença, e que, quando os ouvem pronunciar apertam as narinas com medo de que seu odor não os fatigue e excite náuseas; mas para os falsos, abrem todos os seus sentidos e os engolem como as baleias servem as águas.