- I. A PALAVRA SEM A DOUTRINA NÃO É COMPREENDIDA. Isto provém de que a Palavra, no Sentido da letra, consiste em puras Correspondências, a fim de que os Espirituais e os Celestes aí estejam ao mesmo tempo; e que, cada palavra seja o seu continente e suporte; é por isso que os Divinos Veros no sentido da letra estão raramente nus, mas são veros vestidos, que se chama Aparências do vero e são acomodados em sua maior parte à concepção dos simples, que não elevam seus pensamentos acima das cousas que vêem; há alguns dêles que aparecem como contradições, quando, entretanto, na Palavra, considerada em sua luz espiritu há contradição alguma; há também em certas Passagens, nos Profetas, coleções de nomes de lugares e de pessoas de que não se pode tirar sentido algum. Uma vez pois que a Palavra é assim no Sentido da letra, podese ver que ela não pode ser compreendida sem a Doutrina. Mas exemplos vão ilustrar êste ponto. Foi dito que "Jehovah se arrepende" (Êxodo 32, 12, 14; Jonas III, 9; IV, 2); e foi dito também que "Jeovah não se arrepende" (Num. 23, 19; 1 Samuel XV, 29); sem a Doutrina essas passagens não podem se conciliar. Foi dito que "Jehovah visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos até à terceira e quarta geração" (Num. 14, 18) 18); e foi dito também que "não morrerá o pai pelo filho, nem o filho pelo pai, mas cada um em seu pecado" (Deut. 24 16); estas passage es o o em discordância, mas em concordância pela Doutrina. J disse: "Pedi e vos será dado; procurai e achareis; batei e vos será aberto" (Mateus VII, 7, 8; XXI, 21, 22); sem a Doutrina, acreditar-se-á que cada um deve receber o que pede, mas pela Doutrina, sabe-se que tudo o que o homem pede segundo o Senhor é dado; é mesmo o que o Senhor ensina: "Se habitardes em Mim e as minhas palavras em vós habitarem, tudo o que quiserdes pedir, vos será feito" (João XV, 7). O Senhor disse: "Bem-aventurados os pobres porque dêles é o Reino de Deus" (Lucas VI, 20); sem a Doutrina pode-se pensar que o Céu é para os pobres e não para os ricos, mas a Doutrina se deve entender os pobres de espírito, pois o Senhor aventurados os pobres de espírito porque dêles é Céus" (Mateus V, 3). 1, o Senhor disse: disse: "Não julgueis para que não sejais julgados; com o julgamento com que julgais sereis julgados" (Mate VI, 37); sem a Doutrina podemos ser levados a confi que não se deve julgar que o mau é mau; entretanto, segui a Doutrina é permitido julgar, porém, justamente, pois o Senhor disse: "Com um julgamento justo julgai" João VII, 24). Jesus disse: "Não deixeis vos chamar Doutor, pois um só é vosso Mestre, o Christo; e não chameis alguém vosso pai sobre a Terra, pois pois um só é vosso Pai, Aquêle (que está) nos Céus; e não sede chamados Mestres, pois um só é vosso Mestre, o Christo" (Mateus XXIII, 8, 9, 10); sem a Doutrina, resultará que não é permitido chamar alguém de Doutor, Pai ou Mestre, mas segundo a Doutrina sabe-se que isso é permitido no sentido natural, mas não no sentido espiritual. Jesus disse aos Discípulos: "Quando o Filho do homem estiver sentado sobre o Trono de sua glória, vós estareis sentados também sobre doze Tronos, julgando as doze Tribos de Israel" (Mateus XIX, 28); segundo estas palavras, pode-se concluir que os Discípulos do Senhor devem atambém julgar, quando, entretanto, não podem julgar pessoa alguma; a Doutrina revelará portanto este arcano, dizendo que o Senhor, qu onisciente e conhece os corações de todos, deve julgar só pode julgar; e que pelos Seus doze Discípulos se entende a Igreja quanto a todos os veros e a todos os bens que vêm do Senhor pela Palavra; donde a Doutrina conclui que estes veros e estes bens devem julgar a cada um, segundo as palavras do Senhor em João III, 17, 18; XII, 47, 48. Há na Palavra um grande número de passagens a estas, pelas quais é bem evidente que a Palavra sem a Doutrina não é compreendida.