- Ninguém, a menos que saiba o que é a Palavra, pode conceber por alguma idéia que em cada uma de suas partes há a Infinidade, isto é, que ela contenha coisas inumeráveis que os Anjos, mesmos não podem esgotar; cada palavra aí pode ser comparada a uma semente que, por meio do humus, pode se tornar uma grande árvore e produzir, em abundância, sementes de onde provêm, de novo, árvores semelhantes que, em conjunto, fazem um jardim e assim ao infinita; tal é a Palavra do Senhor em cada urna de suas partes, tal é principalmente o Decálogo, pois porque ensina o amor para com Deus e o amor em relação E próximo, é o breve complexo de toda a Palavra. Que tal seja a Palavra, a, é o que o Senhor ensina também por esta comparação: semelhante é o Reino de Deus a um grão de mostarda, que um homem tendo recebido semeou em seu campo; ela é a menor que todas as sementes, mas quando cresce é maior tio que os legumes, torna-se uma árvore, de tal modo, que as aves do céu fazem os ninhos em seus ramos (Mateus XIII, 31, 32; Marcos IV, 31, 32; Lucas XIII, 18, 19; cfr. Também com Ezequiel XVII, 2 a 8). Que haja uma tal infinidade de sementes espirituais ou de verdades da Palavra, pode-se ver pela Sabedoria Angélica que procede toda da Palavra; ela aumenta eternamente nos Anjos; e quanto mais estes são sábios, vêem claramente que a Sabedoria é sem fim; e percebem que eles mesmos estão apenas na entrada e que não podem, quanto à menor cousa, atingir a Sabedoria Divina do Senhor, que chamam um Abismo. Ora, como a Palavra emana deste Abismo, pois que ela vem do Senhor, é evidente que em todas as suas partes há uma espécie de Infinidade.