- As concupiscências da carne, dos olhos e dos outros sentidos, separadas as concupiscências, isto é, das afeições, dos desejos e dos prazeres do espírito, são absolutamente semelhantes as cobiças das bestas, por isso, em si mesmas, bestiais; mas as afeições do Espírito são tais como as afeições dos Anjos e, por conseguinte, devem ser denominadas afeições verdadeiramente humanas; portanto, quanto mais alguém se entrega às cobiças da carne, tanto mais é besta e animal; mas quanto mais alguém se compraz nos desejos do espírito, tanto mais é homem e Anjo. As cobiças da carne podem ser comparadas a uvas dessecadas e torradas pelo ardor do sol, aos frutos da vinha selvagem e também ao gosto do vinho que delas provém. As cobiças da carne podem ser comparadas a estábulos onde estão jumentos, bodes e porcos; e as afeições do espírito, a estrebarias onde estão cavalos vigorosos; e também a apriscos, onde estão ovelhas e cordeiros; elas diferem também como o jumento e o cavalo, como o bode e a ovelha, e como o porco e o cordeiro; em geral, como a escória e o ouro, como a cal e a prata, como o coral e o rubi, etc. A cobiça e o fato são coerentes como o sangue e a carne, como a chama e o óleo, pois a cobiça está no fato, como o ar no pulmão quando se respira e se fala, como o vento na vela quando se navega e como a água, na roda, quando a máquina está em movimento e em ação.