- II. 0 homem pode adquirir a Caridade: é a mesma coisa que para a f é; pois o que é que a Palavra ensina a mais do que a Fé e a Caridade, pois que elas são os dois teu da salvação? Coem efeito, lê-se: "Amarás o Senhor de teu coração, de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo" (Nat. XXII, 34 a 39); e "Jesus disse: Um mandamento que vos ameis uns aos outros; nisto todos conhecerão e sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (João XIII, 34, 35), semelhantemente, XV, 9; XVI, 27. Diz-se também que o homem deve dar frutos como uma boa árvore; e que aquele que faz o bem será se compensado na ressurreição; além de vários outros preceitos semelhantes; para que serviriam todos estes preceitos, se o homem não pudesse, por si mesmo, exercer a Caridade nem adquiri-la de maneira alguma? Não pode ele dar esmolas, socorrer os indigentes, fazer o bem em sua casa e em seu emprego? Não pode viver segundo os preceitos do Decálogo? Não tem uma alma pela qual pode fazer estes preceitos e também uma mente nacional pela qual pode se dirigir para agir com tal ou tal fim? Não pode pensar que deve fazê-los porque foram ordenados na Palavra e assim por Deus? Esta faculdade não falta a homem algum; se não falta é porque o Senhor a deu a cada A um; e a dá como uma espécie de propriedade; com efeito, quem é que fazendo a caridade sabe outra cousa senão que a faz por si mesmo?