- Quando se sabe, portanto, que o espiritual está interiormente, no natural naqueles que estão na fé no Senhor e, ao mesmo tempo, na caridade em relação ao próximo e, por conseguinte, o natural nêles és diáfano, daí se sabe que o homem é SOA nas coisas espirituais; por conseguinte, sábio também nas coisas naturais, pois vê interiormente em si quando pensa, ou lê e ouve alguma cousa, se isso é uma verdade ou não; percebe isso pelo Senhor, de quem a luz e o calor espirituais influem na esfera superior de seu entendimento. Quanto mais no homem a Fé e. a Caridade se tornam espirituais, tanto mais o homem se retira de si próprio e não olha para si mesmo, nem para recompensa ou remuneração, mas unicamente para o prazer de perceber os veros da fé e de fazer os bens do amor; e quanto mais esta espiritualidade aumenta, tanto mais este prazer se torna beatitude; daí vem sua salvação, que é chamada vida eterna. Este estado do homem pode ser comparado às cousas mais belas do Mundo e que apresentam mais encantos; e na Palavra é também comparado às árvores frutíferas e aos pomares onde elas estão; aos Prados esmaltados de flores; às pedras preciosas; aos manjares delicados, e também às Núpcias, aos Divertimentos e aos Prazeres. Mas, quando se dá o inverso, isto é, quando o Natural está interiormente no Espiritual e, por conseguinte, o homem em seus Internos, é um Diabo; e nos Externos, como um Anjo, então seu estado pode ser comparado a um Morto em um esquife de madeira preciosa e dourado; pode ainda ser comparado a um Esqueleto preparado com vestimentas como um homem e conduzido em um carro magnífico; e também, a um Cadáver em um sepulcro construído como um Templo de Diana; melhor ainda, seu Interno pode ser assemelhado a um conjunto de serpentes em uma caverna; e seu Externo, a borboletas cujas asas são pintadas em cores de toda espécie e que põem ovos sujos sobre as folhas das árvores frutíferas, do que resulta a destruição dos frutos. Enfim, seu Interno pode ser comparado a um Gavião seu Externo, a uma Pomba e sua Fé e sua Caridade, ao vôo do Gavião sobre a Pomba em fuga, que ele caça e por fim, se lança sobre ela e a devora.