- Uma verdade constante, é que a Fé e a Caridade não podem ser separadas, a fim de que o homem tenha a vida espiritual e, conseqüentemente, a salvação; que seja assim, cai por si mesmo no entendimento de cada homem, mesmo não ornado com talento de erudição. Há alguém que quando ouve dizer que aquele que vive bem e crê segundo as regras é salvo, não veja isso por uma sorte de percepção interior e, por conseguinte, pelo entendimento não seja desta opinião? Há alguém que, quando ouve dizer que aquele que crê segundo a regra e não vive bem também é salvo, não rejeita isso do entendimento como uma imundície que cai no olho, pois que então, pela per-cepção interior lhe vem imediatamente este pensamento: Como se pode crer segundo a regra, quando não se vive bem; e o que é então crer, senão uma figura pintada da Fé e não sua imagem viva? Semelhantemente, se alguém ouvisse dizer que aquele: que vive bem, ainda que não creia, é salvo, seu entendimento, virando e revirando esta proposição, ou pensado-a, não veria, não perceberia, e não pensaria que ela também não tem consistência, pois que bem viver vem de Deus? com efeito, todo bem que em si é o bem, vem de Deus. 0 que é então bem viver e não crer, senão como é na mão do oleiro, a argila que não pode ser moldada em nenhum vaso próprio ao uso no Reino espiritual, e não pode servir senão no Reino natural? Além disso, quem não vê a contradição nestas duas proposições a saber Aquele que crê e não vive bem é salvo; e Aquele que vive bem e não crê é salvo? Ora, hoje sabe-se e não se sabe o que é Bem viver, que pertence à Caridade, pois sabe-se o que é bem viver naturalmente, e não se sabe o que é bem viver espiritualmente; vai se tratar disso, em Séries, por Artigos distintos.