- Se a Pátria é o próximo de preferência a uma Sociedade, é porque ela é composta de um grande número de Sociedades; por conseguinte, o Amor a seu respeito é um Amor muito mais extenso e superior; e além disso, amar a Pátria é amar a salvação pública. A Pátria é o próximo porque é como uma Mãe; pois o cidadão aí nasce, ela o alimentou e o alimenta, ela o protegeu e o protege contra os ultrajes. Deve-se fazer bem à Pátria por Amor segundo suas necessidades, das quais umas são naturais, e outras espirituais; as Naturais concernem à vida e à ordem civis; e as Espirituais à vida e à ordem espirituais. Que a Pátria deve ser amada, não como o homem se ama a si mesmo, mas mais do que êle ama a si mesmo, é uma Lei gravada nos corações humanos; daí esse ditado geralmente conhecido, que subscrevem todos os homens justos, que se a Pátria está em perigo iminente, seja por parte do inimigo, seja por outro motivo, é belo morrer por ela, é glorioso para o soldado derramar por ela seu sangue; esse ditado está em uso porque ela deve ser amada até esse ponto. E preciso que se saiba que os que amam a Pátria e lhe fazem bem pelo bem querer, amam depois da morte o Reino do Senhor, pois êste Reino é então a sua Pátria; e os que amam o Reino do Senhor, amam o Senhor, pois o Senhor é tudo em tôdas as cousas de Seu Reino.