- E' preciso que se saiba bem que a Caridade e a Fé no Senhor foram estreitamente conjuntas; daí tal é a Fé, tal é a Caridade. "Que o Senhor, a Caridade e a Fé façam um, como a vida, a vontade e o entendimento; e que, se são divididos, cada um se perde como uma pérola reduzida a pó", vê-se acima, número 362 e segs. E "que a Caridade e a Fé estejam juntas nas boas obras", vê-se acima, ns. 373 a 377; segue-se dai que tal é a Fé, tal é a Caridade; e que tais são, em conjunto, a Fé e a Caridade, tais são as Obras. Se, portanto, a Fé é que, todo bem que o homem faz como por si mesmo vem do Senhor, o homem então é a causa instrumental do bem e o Senhor é a causa principal, causas que aparecem as duas diante do homem como sendo uma, quando, entretanto, a causa principal é tudo em todas as cousas da causa instrumental; daí, resulta que se o homem crê que todo bem, que em si é o bem, vem do Senhor, êle não põe o mérito nas obras; e no mesmo grau em que esta fé é aperfeiçoada no homem, a fantasia concernente ao mérito lhe é tirada pelo Senhor. 0 homem neste estado faz em abundância exercícios da Caridade sem o mêdo do mérito, percebe o prazer espiritual da Caridade e começa então a ter em aversão o mérito como prejudicial à sua vida. 0 mérito é facilmente apagado pelo Senhor nos que se imbebem. da Caridade por agirem com justiça e fidelidade na obra, no trabalho e no emprego que têm de exercer, e com aqueles com quem têm algum comércio, ver acima, ns. 422 a 424. Mas o mérito é dificilmente tirado daqueles que crêem que a Caridade se adquire pelas esmolas e pelos socorros aos indigentes, pois quando fazem estas obras, querem em sua m ente, a princípio, abertamente e, em seguida, tácita uma recompensa, e se atribuem o mérito.