- Do que acaba de ser dito pode-se perceber e concluir que as cousas que seguem não são criáveis, a saber: 1.0) o Infinito; 2) o amor e a sabedoria; 3.0) e por conseguinte a vida; 4.0) a luz e o calor; 5.0) e além disso, a atividade mesma,. considerada em si; mas que os órgãos que os recebem são criáveis e foram criados. Isto pode ser ilustrado por estas comparações: A luz não é criável, mas seu órgão que é o olho é criável; o som que é a atividade da atmosfera não é criável, mas seu órgão que é o ouvido é criável; do mesmo modo o calor que é o principal ativo, para a recepção do qual foram criadas tôdas as cousas que estão nos três Reinos da natureza, as quais não agem, mas são postas em ação segundo a recepção. E' uma lei da Criação, que lá onde há ativos, há também passivos, e que êstes dois se conjugara como em um; se os ativos fossem criáveis, como os passivos, não haveria necessidade de Sol nem por conseqüência de calor e de luz, mas tôdas as cousas criadas subsistiriam sem eles, quando entretanto se eles fossem suprimidos o Universo cairia em um caos. 0 Sol do mundo consiste, êle mesmo, em substâncias criadas cuja atividade produz o fogo. Isto foi referido para servir de ilustração. Dar-se-ia o mesmo com o homem, se a Luz espiritual, que em sua essência é a sabedoria, e o Calor espiritual, que em sua essência é o amor, não influíssem no homem, e não fossem recebidos pelo homem; o homem todo não é outra cousa mais do que uma forma organizada para a recepção do calor e da luz, tanto do Mundo natural, como do Mundo espiritual, pois elas se correspondem uma à outra. Se se negasse que o homem é uma Forma recipiente do amor e da sabedoria procedentes da Deus, negar-se-ia também o influxo e por conseqüência que todo bem vem de Deus; negar-se-ia ainda a conjunção com Deus; e por conseguinte esta palavra de que o homem pode ser o habitáculo e o templo de Deus, seria uma palavra vã.