- Mas é preciso que se saiba bem, que as coisas espirituais da Palavra e da Igreja que o homem recebe pelo amor, e que o Entendimento confirma, permanecem no homem, mas não do mesmo modo as cousas civis e políticas, porque as cousas, espirituais sobem à região suprema da mente, e aí se formam; isto vem de que lá está a entrada do Senhor com os Divinos veros e os Divinos bens no homem, e por -assim dizer o templo no qual Ele reside; mas as coisas civis e políticas, porque pertencem ao Mundo, ocupam os inferiores da mente, e algumas aí estão como pequenas construções fora do templo, e outras como vestíbulos pelos quais é preciso entrar. Se as cousas espirituais da Igreja habitam na região suprema da mente, é também porque elas são próprias da alma, e encaram sua vida eterna, e a alma está nos supremos, e não tem para sua nutrição outros alimentos senão coisas espirituais; é por isso que o Senhor se chama o Pão, pois ele disse: "Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu; se alguém come dêste Pão viverá eternamente" (João VI, 51); nesta região reside também o amor do homem, amor que faz sua beatitude depois da morte, e lá reside também principalmente o seu Livre-Arbítrio nas coisas espirituais, e dêste desce toda liberdade que o homem possui nas coisas naturais; e como sua origem está lá, comunica isso a todos os Livres-Arbítrios nas cousas naturais, e por eles o amor reinante nos supremos toma tudo o que lhe convém; é uma comunicação como a da veia de uma fonte com. as águas que dela provêm, e como o prolífico mesmo da semente com tôdas e cada uma das partes da árvore, sobretudo com os frutos nos quais se renova. Mas se alguém nega o Livre-Arbítrio nas e coisas espirituais e por conseguinte o rejeita, este se faz uma, outra fonte, e aí abre uma veia, e muda a liberdade espiritual em uma liberdade puramente natural, e enfim em uma liberdade infernal; esta Liberdade se torna também como o prolífico da semente, o qual também passa livremente pelo tronco e os galhos aos frutos que, conforme sua fonte, estão podres por dentro.