- O segundo ponto a examinar é êste: pois que esta, contrição não é a penitência, tem ela algum valor? Diz-se que ela conduz à fé, como o que precede conduz ao que segue; mas que não obstante ela não entra na fé e não se conjunta com ela, misturando-se; mas esta fé que se segue, é outra cousa senão que Deus Pai imputa a justiça de Seu Filho, e então declara justo, novo e santo, um homem que não tem conhecimento de nenhum de seus pecados, e assim o reveste com uma roupa lavada e tornada branca pelo sangue do Cordeiro? Quando anda vestido com esta roupa, que são então os males de sua vida, senão como pedras de enxofre lançadas no fundo do mar? E que se torna então o pecado de Adão, senão um pecado que está encoberto ou afastado, ou torcido pela justiça imputada do Christo? (Quando o homem por esta fé anda na justiça e ao mesmo tempo na inocência do Deus Salvador, para que serve então esta contrição, senão à confiança de que está no seio de Abrahão, e daí vê os não contritos antes da fé como miseráveis no inferno, ou ,como mortos, pois se diz que a fé viva não está naqueles que têm falta de contrição? Por isso pode-se dizer que aqueles que ,se mergulharam ou mergulham nos males danáveis, não prestam mais atenção e não os senem mais do que os porcos novos ,estendidos no meio da lama nos fossos de uma praça dão atenção ao mau cheiro e o sentem. É portanto evidente que esta contrição, pois que não é a penitência, não tem valor algum.