- Terceiro Memorável (N. 62). Um dia me foi dado ver trezentos Eclesiásticos e Leigos, todos sábios e eruditos, porque haviam sabido confirmar a Fé só até à justificação, e alguns tinham ido mesmo além; e como neles havia a fé, que o Céu é unicamente uma admissão por graça, lhes foi permitido subir a uma Sociedade do Céu, que entretanto não era uma das sociedades superiores; e enquanto subiam eram vistos de longe como Bezerros; e quando entraram no Céu, foram recebidos com civilidade pelos Anjos, mas enquanto conversavam, um tremor se apoderou deles, depois um calafrio, e por fim uma tortura como a da morte, e então se lançaram precipitadamente para baixo, e em sua queda foram vistos como cavalos mortos. Se subindo apareciam como bezerros, é porque a afeição natural de ver e de saber manifestando-se com alegria, aparece segundo a correspondência como um Bezerro; e se em sua queda apareceram como cavalos mortos, é porque o entendimento do vero aparece pela correspondência como um Cavalo, e o Entendimento nulo do vero que pertence à Igreja, aparece como um cavalo morto. Abaixo deles havia crianças que os viram descer, e às quais apareceram, descendo, como Cavalos mortos; e então estas crianças desviaram suas faces, e disseram a seu Mestre que estava com elas: "Que prodígio é êste? Vimos homens, e agora em lugar de homens estão cavados mortos; como não os podíamos olhar, desviamos as nossas faces; Mestre, não fiquemos neste lugar, mas vamos embora". E se foram. E então o Mestre, no caminho, as instruiu sobre o que é um cavalo morto, dizendo-lhes: "0 cavalo significa o Entendimento do vero pela Palavra; todos os cavalos que vistes significavam êste entendimento; com efeito, quando o homem anda meditando sobre a Palavra, a sua Meditação aparece de longe como um Cavalo vigoroso e vivo, se êle medita espiritualmente, e ao contrário, raquítico e morto, se medita materialmente". Então as crianças perguntaram o que era meditar espiritualmente e meditar materialmente sobre a Palavra; e o Mestre respondeu: "Vou ilustrar isto por exemplos: Quem é que, quando lê santamente a Palavra, não pensa interiormente em Deus, no Próximo e no Céu? Quem pensa em Deus segundo a Pessoa, e não segundo a Essência, pensa materialmente; quem pensa no Próximo só pela forma externa, e não pela qualidade, pensa materialmente; e quem pensa no Céu somente pelo lugar, e não pelo amor e a sabedoria, que fazem com que o Céu seja Céu, pensa ainda materialmente". Mas as crianças disseram: "Nós pensamos em Deus pela Pessoa, no Próximo pela Forma em que êle é homem, e no Céu pelo Lugar em que êle está acima de nós, será que por isso, quando lemos a Palavra, aparecemos a alguém como cavalos mortos?" 0 Mestre lhes disse: "Não; sois ainda crianças, e não podeis pensar de outro modo; mas percebi em vós a afeição de saber e de compreender, e esta afeição sendo espiritual, vós pensastes também espiritualmente, pois há um pensamento espiritual interiormente escondido em vosso pensamento material, o que não sabeis ainda. Mas volto ao que dizia precedentemente, que aquele que pensa materialmente, quando lê a Palavra, aparece de longe como um cavalo morto, enquanto que aquele que pensa espiritualmente aparece como um Cavalo vivo; e que aquêle que pensa em Deus somente pela Pessoa, e não pela Essência, pensa materialmente; pois há vários atributos da Divina Essência, como a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença, a Eternidade, o Amor, a Sabedoria, a Misericórdia e a Graça, e outros; e há Atributos procedentes da Divina Essência, que são a Criação e a Conservação, a Redenção e a Salvação, a Ilustração e a Instrução. Quem pensa em Deus pela Pessoa, faz três Deuses, dizendo: que há um Deus que é Criador e Conservador, um outro que é Redentor e Salvador, e um terceiro que é Ilustrador e Instrutor; mas quem pensa em Deus pela Essência, faz um único Deus, dizendo: Deus nos criou, e êste mesmo Deus nos resgatou e nos salvou, e também nos ilustra e nos instrui; daí vem que os que pensam na Trindade de Deus pela Pessoa, e assim materialmente, não podem pelas idéias do seu pensamento, que é material, deixar de fazer de Um único Deus três Deuses, mas não obstante são obrigados, contra seu pensamento, a dizer que há União destes três Deuses pela Essência, porque pensaram, como através de uma grade, em Deus também pela ,essência; por isso, meus Alunos, pensai segundo a Essência e por ela na Pessoa, pois pensar pela Pessoa na Essência, é pensar materialmente também na Essência, enquanto que pensar pela Essência na Pessoa, é pensar espiritualmente também na Pessoa; os Antigos Gentios, porque pensaram materialmente em Deus, fizeram não somente três Deuses, mas uma multidão de Deuses, até a mais de cem, pois de cada Atributo fizeram um Deus; sabei que o material não entra no espiritual, mas que o espiritual entra no material. Dá-se o mesmo com o pensamento sobre o Próximo por sua forma externa, e não por sua qualidade; e o mesmo também com o pensamento sobre o Céu pelo lugar, e não pelo Amor e a Sabedoria que constituem o Céu. Dá-se o mesmo com pensa materialmente; e quem pensa no Céu somente pelo lugar, e não pelo amor e a sabedoria, que fazem com que o Céu seja Céu, pensa ainda materialmente". Mas as crianças disseram: "Nós pensamos em Deus pela Pessoa, no Próximo pela Forma em que êle é homem, e no Céu pelo Lugar em que êle está acima de nós, será que por isso, quando lemos a Palavra, aparecemos a alguém como cavalos mortos?" 0 Mestre lhEs disse: "Não; sois ainda crianças, e não podeis pensar de outro modo; mas percebi em vós a afeição de saber e de compreender, e esta afeição sendo espiritual, vós pensastes também espiritualmente, pois há um pensamento espiritual interiormente escondido em vosso pensamento material, o que não sabeis ainda. Mas volto ao que dizia precedentemente, que aquele que pensa materialmente, quando lê a Palavra, aparece de longe como um cavalo morto, enquanto que aquele que pensa espiritualmente aparece como um Cavalo vivo; e que aquele que pensa em Deus somente pela Pessoa, e não pela Essência, pensa materialmente; pois há vários atributos da Divina Essência, como a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença, a Eternidade, o Amor, a Sabedoria, a Misericórdia e a Graça, e outros; e há Atributos procedentes da Divina Essência, que são a Criação e a Conservação, a Redenção e a Salvação, a Ilustração e a Instrução. Quem pensa em Deus pela Pessoa, faz três Deuses, dizendo: que há um Deus que é Criador e Conservador, um outro que é Redentor e Salvador, e um terceiro que é Ilustrador e Instrutor; mas quem pensa em Deus pela Essência, faz um único Deus, dizendo: Deus nos criou, e êste mesmo Deus nos resgatou e nos salvou, e também nos ilustra e nos instrui; daí vem que os que pensam na Trindade de Deus pela Pessoa, e assim materialmente, não podem pelas idéias do seu pensamento, que é material, deixar de fazer de Um único Deus três Deuses, mas não obstante são obrigados, contra seu pensamento, a dizer que há União dêstes três Deuses pela Essência, porque pensaram, como através de uma grade, em Deus também pela essência; por isso, meus Alunos, pensa! segundo a Essência e por ela na Pessoa, pois pensar pela Pessoa na Essência, é pensar materialmente também na Essência, enquanto que pensar pela Essência na Pessoa, é pensar espiritualmente também na Pessoa; os Antigos Gentios, porque pensaram materialmente em Deus, fizeram não somente três Deuses, mas uma multidão de Deuses, até a mais de cem, pois de cada Atributo fizeram um Deus; sabei que o material não entra no espiritual, mas que o espiritual entra no material. Dá-se o mesmo com o pensamento sobre o Próximo por sua forma externa, e não por sua qualidade; e o mesmo também com o pensamento sobre o Céu pelo lugar, e não pelo Amor e a Sabedoria que constituem o Céu. Dá-se o mesmo com todas e cada uma das cousas que estão na Palavra; por isso aquele que conserva uma idéia material sobre Deus, e também sobre o próximo e sobre o Céu, nada pode compreender da Palavra, ela é para êle uma letra morta; e quando a lê, ou quando ,medita sobre ela, aparece de longe como um Cavalo morto; aqueles que vistes descer do Céu, e que se tornaram diante de vossos olhos como Cavalos mortos, eram homens que tinham fechado neles e nos outros a vista racional, quanto às cousas Teológicas ou espirituais da Igreja, por este dogma particular, que o Entendimento deve ser posto sob a obediência de sua fé, sem pensar que o entendimento fechado pela Religião é cego como uma toupeira, e que há nele uma pura obscuridade, e uma tal obscuridade, que rejeita para longe dele toda luz espiritual, reduz o influxo que vem do Senhor e do Céu, e põe para este influxo uma barra no sensual corporal, bem abaixo do racional nas cousas da fé, isto é, a põe perto do nariz, e a fixa em sua cartilagem, de sorte que depois não pode mesmo sentir as cousas espirituais; daí alguns se tornaram tais, que, quando sentem o cheiro proveniente de cousas espirituais, caem desfalecidos; pelo cheiro se entende a percepção. São esses que fazem três Deuses; dizem, na verdade, que pela Essência Deus é Um, mas não obstante quando oram segundo sua Fé, a qual é que Deus Pai tem compaixão por causa do Filho e envia o Espírito Santo, fazem manifestamente três Deuses; não podem fazer de outro modo, pois pedem .a Um que tenha compaixão por causa do Outro, e que envie o Terceiro". E então seu Mestre lhes ensinou a respeito do Senhor, que Ele é o único Deus em Quem está a Divina Trindade.