- Se não é imputado ao homem nenhum dos males que ele pensa, é porque o homem foi criado de tal maneira, que pode compreender e por conseguinte pensar o bem ou o mal, o bem pelo Senhor, e o mal pelo Inferno, pois está no meio, e tem a faculdade de escolher um ou outro pelo livre-arbítrio nas cousas espirituais, de que se tratou em seu lugar; e como tem a faculdade de escolher com liberdade, pode querer e não querer, e o que quer é recebido pela vontade e é apropriado, mas o que não quer não é recebido e por conseqüência não é apropriado. Todos os males para os quais o homem se inclina por nascimento foram inscritos na vontade de seu homem natural; êstes males, tanto quanto se tira de lá, influem nos pensamentos; do mesmo modo os bens com os veros aí influem vindos do alto pelo Senhor; e aí são pesados nos pratos de uma balança; se então o homem adota os males, eles são recebidos pela vontade antiga, e se ajuntam aos males desta vontade; mas se adota os bens com os veros, é formada pelo Senhor uma nova vontade e um novo entendimento, acima da vontade antiga, e o Senhor aí implanta sucessivamente novos bens por meio de veros, e por êstes subjuga os males que estão abaixo e os afasta, e dispõe tôdas as cousas na ordem. Por isso, é evidente que o pensamento é que purifica e penera os males que vêm dos pais; se portanto os males que o homem pensa fossem imputados, não poderia fazer nem reforma nem a regeneração.