- 0 homem que está na fé no Senhor, e na caridade em relação ao próximo, é a Igreja no particular, e a Igreja no comum é composta de homens semelhantes. Há isto de maravilhoso, que todo Anjo tem o Senhor diante de seus olhos, em qualquer posição do corpo e da face em que esteja; com efeito, o Senhor é o Sol do Céu Angélico, é Êle que aparece diante dos olhos dos Anjos, quando estão em uma, meditação espiritual; o mesmo acontece no Mundo ao homem em quem está a Igreja, quanto à vista de seu espírito; mas como esta vista é velada pela vista natural que os outros sentidos acariciam, cujos objetos são cousas que pertencem ao corpo e ao Mundo, o homem ignora êste estado de seu espírito; êste aspecto do Senhor, em qualquer posição que se esteja, tira sua origem de que todo vero de que procedem a sabedoria e a fé, e todo bem pelo qual existem o amor e a caridade, vêm do Senhor, e pertencem ao Senhor no homem, e por conseguinte cada vero da sabedoria é como um espelho em que está o Senhor, e cada bem do amor é a imagem do Senhor; daí vem esta maravilha. Ao contrário, o espírito mau se desvia continuamente do Senhor, e dirige sem cessar seus olhos para seu amor, e isto também em qualquer posição do corpo e da face em que esteja; a causa é a mesma, mas em sentido inverso; pois todo mal está em uma certa forma na imagem de seu amor dominante, e o falso que provém -do mal apresenta esta imagem como em um espelho. Que alguma cousa semelhante tenha sido também implantada na natureza, pode-se concluir de certas germinações que são cercadas de plantas herbáceas, pelo fato de que elas se esforçam por ultrapassá-las em altura, a fim de olhar para o sol; além disso, pelo fato de que algumas se voltam para êle desde seu levantar até ao seu deitar, a fim de amadurecer assim sob seus auspícios, e não duvido que haja uma semelhante inclinação e um semelhante esforço em todos os ramos de cada árvore, mas como não há nelas a elasticidade de flexão e de conversão, o ato se detém. Que todos os turbilhões e todos os sirtes do Oceano se dirigem também por si mesmos circularmente segundo a marcha comum do sol, isso é evidente para um observador. Por que não se daria o mesmo com o homem, que foi criado à imagem de Deus, a não ser que servindo-se de seu livre-arbítrio volte para outro lado esta inclinação e êste esforço impressos MA por criação? Isto pode também ser comparado a uma noiva, que traz continuamente à vista de seu espírito a imagem de seu noivo, e o vê em seus presentes como em espelhos, e deseja ardentemente sua vinda, e quando êle chega, ela o recebe com uma alegria em que o amor de seu coração salta.